Uma pesquisa do instituto Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (15), revela que o episódio envolvendo a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela acendeu um sinal de alerta entre brasileiros. Segundo o levantamento, 58% afirmam temer que algo semelhante possa ocorrer contra o Brasil em um futuro próximo, enquanto 40% dizem não compartilhar dessa preocupação.
O receio é mais intenso entre eleitores que se identificam com o presidente Lula: quase três em cada quatro lulistas dizem temer um desfecho parecido. Entre bolsonaristas, o medo também aparece de forma majoritária, embora em proporção menor.
A pesquisa também mediu a avaliação da ofensiva americana que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Para 46% dos entrevistados, a ação foi correta; 39% desaprovaram. Ainda assim, o tema divide opiniões quando se trata da legitimidade de intervir militarmente em outro país para prender um líder autoritário.
No Brasil, a reação oficial do governo foi de condenação. Lula classificou a iniciativa como uma grave violação da soberania venezuelana, posição que, segundo o levantamento, é vista como equivocada por 51% dos entrevistados.
Outros 37% consideram que o presidente agiu corretamente. Apesar da controvérsia, a maioria defende cautela: 66% avaliam que o Brasil deveria manter neutralidade diante do embate entre Washington e Caracas.
Após a deposição de Maduro, o comando do país passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que negociou com os americanos a abertura do mercado de petróleo. O cenário frustrou a oposição local, que esperava mudanças mais profundas, inclusive com a ascensão de Maria Corina Machado.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas, entre 8 e 11 de janeiro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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