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“Temos que devolver a esperança aos brasileiros”, defende Requião Filho

Maurício Thadeu de Mello e Silva ou simplesmente Requião Filho, nasceu em uma família de políticos. Seu pai, Roberto Requião, forjou sua carreira na luta pela redemocratização, foi deputado estadual, prefeito de Curitiba, senador e governador do Paraná por três mandatos. Mesmo com essa herança, ele inicialmente não tinha a menor intenção de entrar na vida pública. Formou-se em Direito em Brasília e chegou a ter um escritório de advocacia na Capital Federal. Seu plano era ser delegado da Polícia Federal.

Tudo mudou entre 2012 e 2014, quando parte do PMDB do Paraná – partido do qual seu pai foi um dos fundadores – abriu uma dissidência e abandonou a campanha de Roberto Requião ao governo do estado para apoiar a reeleição do então governador Beto Richa (PSDB).

Eleito deputado estadual no mesmo ano, Requião Filho disputaria a prefeitura de Curitiba dois anos depois, recebendo 52 mil votos e ficando com a quinta votação. Reeleito deputado em 2018 e 2022, tornou-se uma das principais vozes da oposição ao governo Ratinho Jr (PSD) na Assembleia Legislativa do Paraná.

Após uma breve passagem pelo PT, Requião Filho hoje está no PDT, pelo qual pretende disputar o governo do Paraná nas eleições deste ano. Identificado claramente desde sempre com o campo progressista, o deputado critica a esquerda brasileira por insistir em um discurso voltado para nichos, deixando de lado aquilo que é mais importante para a maioria da população; emprego, saúde, segurança e educação.

“(Os políticos de direita) passaram a vender esperança. A esquerda passou a vender resignação”, avalia ele, em entrevista ao Brasil Fora da Caverna em que fala sobre sua entrada na política, aborda o futuro do trabalho e os desafios que o país enfrenta para quem acredita ainda acredita que é possível construir uma sociedade mais solidária e menos desigual.

BFC – Começo na política

Requião Filho – Eu não decidi (entrar na política). Aconteceu. Eu tinha certeza que eu não seria político. Certeza absoluta desde os meus 16 anos de idade. O que deu o ‘start’ foi que aqui no Paraná, o PMDB à época se vendeu para um então governador do PSDB (Beto Richa), querendo apoiá-lo à reeleição sem a chance de se discutir internamente uma candidatura própria. Eu venho para fazer essa política partidária já com 30 e tantos anos de idade para ajudar essa reorganização partidária, buscando os nossos delegados, filiados, para discutir a importância de um projeto, de uma proposta para o Paraná. E entrando nisso, de repente eu me vejo candidato a deputado estadual.

Isso foi de 2012 para 2014. Eu queria muito ter sido delegado de Polícia Federal, mas o ‘tio’ Lula e a ‘tia’ Dilma cancelaram os concursos por quase 10 anos. Quando saí da faculdade, abri o meu escritório, não queria fazer outros concursos e não saiu concurso para delegado da PF].

(Porque não queria entrar na política?) Porque eu sou filho de político. Todo mundo acha que a vida do político e da família do político é uma coisa muito fácil. Ninguém consegue entender o que é estar exposto contra a sua vontade, sem querer ter a vida mexida o tempo todo e ter um pai desempregado a cada 4 anos. É isso que as pessoas não entendem. A cada 4 anos, os filhos dos políticos sérios veem a sua fonte de renda colocada em risco.

Os filhos daqueles que o pai é dono de televisão, que ganharam mandato, o pai é milionário, que sonegam impostos se veem todos muito bem dentro ou fora da política. Mas quando você é político praticamente a única coisa que você consegue fazer direito, se quiser fazer bem a política, é ser político. Não dá para ter escritório de advocacia junto, fábrica, fazenda. Não dá para você ter outra coisa. Política é 24 horas por dia, 7 dias por semana, exclusivo. Para você ser um bom político, fazer direito ao seu trabalho. A gente tinha essa instabilidade a cada 4 anos e eu não queria isso.

O Roberto Requião fala de política 24 horas. Mesmo não querendo fazer parte do ambiente, convivi com isso o tempo todo, trocava ideia o tempo todo, a gente sempre teve muito envolvido nisso.
Em campanhas já fiz de tudo. Desde descarregar o caminhão de material até ser o candidato. A minha vida foi inteira em torno disso, mas eu não queria ser o político.

O ambiente político, a discussão, o debate, o desafio de fazer uma política diferente foi sempre algo muito interessante. Sou filho do Roberto Requião, que bota uma régua bem alta. Isso exige um certo estudo, leitura. A gente corre atrás disso. Não bastava ser filho de político e do Requião. Estabelece um nível bem alto para ser atingido. (Aprendi com meu pai) que vale a pena ir contra tudo e todos de vez em quando. O meu pai não queria que eu fosse candidato. Como é que eu ia ser candidato a deputado estadual e prejudicar todos aqueles outros que já tinham trabalhado com ele há tanto tempo?

Eu convivi muito com o meu pai dentro da política. Viajava junto com ele. Ele sempre esteve muito presente. Mas com os meus filhos eu faço diferente. Sábado e domingo estou em casa. Não é fácil enquanto os outros estão deixando a família de lado. No discurso dos outros é bonito. ‘Deus, pátria e família’. Mas os caras não veem os filhos, as mulheres e não dão a atenção devida à família. Fica só no discurso. Eu faço por regra minha, estou com meus filhos. Tanto que nós estamos aqui agora gravando a entrevista e meus dois filhos estão ali do lado, desmontando metade do gabinete.

BFC – Futuro do trabalho

Requião Filho – Tem uma narrativa que foi apresentada ao trabalhador onde para ele é melhor ser um empreendedor do que um assalariado. Ele teria mais chances, mais condições e mais tempo para si. Teria tempo de qualidade para sua família, coisa que a CLT hoje, com a escala que nós temos de 44 horas (semanais) não permite. Então, você vai receber mais dinheiro, pagar menos imposto e ter mais tempo de qualidade para viver. Quem não quer isso? O problema é que a realidade não é bem essa.

A gente tem que trabalhar essa conscientização de para quem serve a CLT e para quem serve o CNPJ. Grandes empresas, escritórios de advocacia e a grande imprensa usam o CNPJ para quê? Para não pagar direitos trabalhistas e imposto. Todo mundo vira associado, freelancer.

E no momento, a gente tem um país desindustrializado com uma dificuldade de mão de obra qualificada. É algo que os Estados Unidos já vêm sofrendo absurdamente. Terceirizaram toda a sua parte industrial para a Ásia e hoje não tem mais mão de obra qualificada nos Estados Unidos também. E agora com a xenofobia procurando alguém para culpar. Aqui no Brasil é a mesma coisa. A gente tem que apresentar para o brasileiro e para a empresa, a indústria, condições para que a CLT seja viável.

Não adianta eu exigir um salário mínimo de R$ 5 mil, se eu não der à indústria ou ao empreendedor a chance de pagar R$ 5 mil. Hoje no governo federal temos uma ideia de impostos altíssimos, cobrança em cima dos pequenos e isenção para os grandes. Aqui no Paraná, multinacionais têm benefícios fiscais absurdos que nenhuma empresa paranaense tem. O governo federal vai no mesmo modelo. Cobrando cada vez mais imposto dos pequenos, com a fiscalização cada vez mais aguçada graças ao dinheiro eletrônico. Cartão, Pix, movimentação eletrônica, fica fácil de você seguir.

Essa mão pesada em cima do pequeno, da pequena indústria, da média, do pequeno empresário, empreiteiro vai pesando. Nós queremos que as pessoas tenham o direito trabalhista, férias, 13º, seguro-desemprego, FGTS, aposentadoria. A gente tem que criar um ambiente onde isso seja viável.

Tenho que garantir ao trabalhador que ele tenha qualidade de vida, um bom salário, mas preciso que o governo entenda que, para que isso aconteça, o empreendedor, o patrão, também tem que conseguir pagar esse salário. E não estou falando aqui de redução de (encargos) em folha. Já tentaram isso no Brasil inúmeras vezes e não aumentou o salário. Aqui tem uma conversa muito séria de como se buscar esse equilíbrio.

BFC – o desencanto dos jovens

Requião Filho – A esquerda pode voltar a falar português. A esquerda não fala com o povo brasileiro, não fala com o trabalhador, com o Sr. João e a Dona Maria. A esquerda quer dar aulas, lição de moral e perdeu o foco da sua essência. A esquerda no Brasil chega ao poder e se dobra diante do establishment. Essa é a grande verdade.

Temos políticos ditos de esquerda à frente do país que são mais à direita economicamente do que muito liberal. Para compensar essa falta de coragem, quando chega ao poder se apega nos discursos de nicho e torna-se cada vez mais inacessível ao público em geral e cada vez mais radical dentro de cada um desses nichos. E entra numa briga de ver a minha estrelinha mais vermelha que a sua.

Perde o contato com a população, a essência de progresso. Chega a ser irônico e uma contradição, porque é um populismo de nicho. A gente deixa de representar o povo. O povo não se vê mais representado naquele discurso, naquela posição, naquela esquerda, até porque a própria esquerda não se vê representada quando está no poder.

Ela passa a ser insípida, inodora e perde a identidade. A direita vem com um discurso muito palatável, muito bem construído e uma narrativa que dá a essas pessoas um pertencimento. Ela consegue sequestrar essa mente mais jovem que, por sua vez, tem cada vez mais um ensino precário, sem história, sociologia, filosofia, artes, sem a parte do ensino que nos ensina a questionar.

Eles passam a repetir a ladainha que é apresentada nas redes sociais, na televisão, e começam a se identificar com isso, e não tem um contraponto. Quando vem o contraponto é professoral. Ninguém tem saco para ficar tomando lição de moral 24 horas por dia.

O que você quer na sua vida como ser humano? Evoluir. É lógico que existem exceções, nós temos dos sociopatas aos psicopatas, mas no geral você quer evoluir com a sua família, seu parceiro, seu colega. Você quer um amanhã melhor do que ontem. E nós deixamos de vender essa esperança. Começamos a dizer para eles, ‘é aqui que vocês estão e vão ficar’. Aceitem o mínimo. E vem a direita e fala, ‘não, não, não, você está aqui. Mas se você trabalhar as mesmas 24 horas vai ficar milionário. Se você correr atrás e não deixar esses chupins sugarem na economia, você vai ficar bem’. Passaram a vender esperança. A esquerda passou a vender resignação. A gente perdeu mesmo o que falar.

No Brasil, 95% da população ganha menos do que R$ 5 mil por mês. 90%, se não me engano, ganha menos de R$ 3.500 por mês, menos de dois salários mínimos. Se a gente não vende esperança para essa gente, vamos vender o quê? Vamos oferecer o quê para eles? A direita vem oferecendo essa esperança de sair de onde ele está através do seu trabalho, da meritocracia e da sua condição. Só que isso traz um individualismo exacerbado que não é da nossa cultura, ou pelo menos não era e passa a ser introduzido no Brasil como o único meio de sobrevivência.

‘Deixa para trás os outros, a família, os seus vizinhos, deixa para trás quem não te coloca para cima. Se junte com os bons que você fica melhor’. Tem um pouco de verdade nisso, mas nem o exército americano trabalha com isso. Eles não deixam ninguém para trás.

BFC – Linguagem das redes

Requião Filho – A direita procurou novas lideranças, nomes, discursos. A esquerda, em uma arrogância absurda, não deixa novos líderes crescerem e aparecerem. Escolhem mitos para fazer uma escolha sacana de palavras e querem que esses mitos sejam louvados e jamais criticados. Quando você é de direita e o cara fala assim, ‘não, mas você concorda com isso? Não, com isso aqui eu não concordo. Mas se você já concorda com A, B, C, no D você chega lá. Vamos te mostrar que é assim que funciona’. Você vem na esquerda, vira para o cara e fala assim, ‘não, eu não sou vegano’. ‘Fascista’.

A esquerda é intolerante. Tem uma certa arrogância no Brasil. Ela precisa se despedir disso e buscar de volta as suas raízes, quem somos e para quem somos. O poder pelo poder corrompe tanto quanto o poder absoluto. A gente se perdeu como espectro ideológico e ‘os fins justificam os meios’. Nesse jogo eles jogam melhor do que a gente, apesar de a gente estar fazendo o mesmo jogo. Acho que falta essa humildade da esquerda de buscar novos nomes, novas pessoas e deixar crescerem. Essa briga da minha estrelinha mais vermelha que é a sua, sempre rompendo o campo de esquerda em diversas correntes diferentes impede que a gente cresça em conjunto. A direita entendeu isso melhor que nós.

BFC – Cultura do cancelamento

Requião Filho – Você se coloca como um político progressista se acredita em escola pública, saúde pública, no SUS. Acredita que o Estado é necessário, não precisa ser um Estado inchado, mas não cabe um Estado mínimo no Brasil. Aí, de repente, você não concorda com a linguagem neutra. Você já não é mais bem-vindo em 90% dos grupos de esquerda. Falta a humildade de aceitar opiniões diferentes e de relaxar nesse extremismo. Porque essa ideia de que só serve o extremo é que bloqueia novos debates, discussões e ideias.

Vamos ser sinceros. Na última eleição, o Lula não ganhou, o Bolsonaro perdeu. A rejeição ao Bolsonaro foi maior que a rejeição ao Lula. Foi exatamente o que elegeu o Bolsonaro da primeira vez. A rejeição ao sistema foi maior que a um ser abjeto que se apresentava de uma maneira folclórica.

O Bolsonaro perde a eleição, nós assumimos o poder, o que nós fazemos? Sobe no salto alto imediatamente, rompe-se a comunicação com a base e passa-se a cometer os mesmos erros que levaram a esquerda a perder para o Bolsonaro (em 2018). Eu espero que tenha (chance de mudar), porque se não a ideia progressista será derrubada como nos Estados Unidos pelo Trump, que está fazendo as loucuras, chocando o mundo e os americanos. Não foi o Trump que ganhou a eleição. Os democratas perderam.

O Trump teve o mesmo número de votos que teve quando perdeu para o Joe Biden. Os (eleitores) democratas não foram votar. Não se sentiram representados, não viram a chance de se colocar no poder como algo viável, factível e aprazível. Preferiram não ir votar e deixar eleger o Trump. A gente corre risco de acontecer isso aqui no Brasil, se essa comunicação, essa visão de não conversar com a população (continuar).

BFC – Conservadorismo do eleitor

Requião Filho – Aqui no Paraná foi vendido que a esquerda é a corrupção, o desvio, o roubo, o populismo exacerbado. E a imprensa do Paraná, que é praticamente um oligopólio entre algumas poucas famílias, comprou isso e vendeu isso aqui. A realidade foi acertada para caber nesta narrativa. No Paraná, esse ódio à corrupção vira o ódio à esquerda. Corrupta, ineficaz, ineficiente, politiqueira, de tal forma que, por vezes, cega o eleitor paranaense à corrupção da direita, ao abuso da direita, à ameaça a democracia. Mas quando você consegue conversar com as pessoas, consegue quebrar essa primeira barreira, essa bolha… É muito fácil quebrar isso. Aqui no Paraná, eu digo que, com dois papéis, 15, 20 perguntas em cada um deles, com as mesmas pessoas, respostas de múltipla escolha, eu transformo um grupo inteiro de 100 pessoas em esquerda e um grupo inteiro de 100 pessoas em direita.

Depende de como eu coloco a pergunta. Se o seu filho está na escola, teve condições de levar um bom lanche, o coleguinha está passando por dificuldades, não levou o lanche, o seu filho deve: A – ignorar o colega; B – dividir o lanche, ou C – humilhar o colega porque está passando fome. Todo mundo vai de B. Dividir o lanche.

Ninguém induz uma criança à maldade. Você chegou no seu trabalho, na fábrica, levou o lanche, o seu colega não levou o lanche: ‘ele devia ter se programado. Não levou porque não quis, não se organizou’. O seu vizinho está passando fome, você está bem de vida, conseguiu emprego, você ajuda o seu vizinho? ‘Problema dele, eu tenho que cuidar da minha família’. Quando você coloca para o adulto, entra o individualismo. Quando você tira esse ranço da sociedade, essa maldade, esse sentimento de que eu fui roubado, de que eu fui perseguido, e bota em uma coisa mais infantil, a empatia surge nas pessoas. É isso que a gente precisa recuperar nas pessoas. O seu vizinho não é o seu inimigo. O professor não é inimigo do policial, o policial não é inimigo do professor. E a gente consegue que as pessoas coloquem a mão na consciência. Agora, se você vem com o discurso 100% extremista, tanto faz o lado, eles se encontram lá em cima, são radicais e intolerantes.

BFC – barreira da imprensa

(Como romper essa barreira?). Com o apoio de jornalistas corajosos. Que tenham coragem de enfrentar um editor, de jogar num blog, de fazer valer o seu juramento acima do interesse imediato e econômico. Só que, infelizmente, se tivéssemos esses jornalistas corajosos e capazes, com condições de enfrentar o sistema, no Paraná nós teríamos outra barreira chamada Ministério Público Estadual. Onde as denúncias não vão para frente, são avocadas para gavetas mais altas e mais profundas e somem. Não temos mais a divisão entre os poderes. Temos uma conurbação ou uma suruba. A ‘festa da cueca’ do Moro expõe o que é o pacto dos poderes no Paraná.

Uma conurbação onde indicações políticas e favores políticos entre membros dos três poderes tornam inviável qualquer investigação séria. Por mais que promotores sérios, juízes, desembargadores, funcionários públicos queiram levar à frente, encontramos resistência numa cúpula antiga e cheia de vícios.

BFC – Caso Sanepar

Requião Filho – (Está) sendo investigada pelo Ministério Público. Virou notícia-crime e entra sob sigilo sem mais, nem menos. Já peticionei, inclusive, para saber por que o sigilo. Temos um esquema dentro de uma empresa de economia mista, Sanepar, pública com participação privada onde cargos comissionados, indicações de diretores são coagidos a contribuir com dinheiro próprio para pagar um rombo de R$ 4 milhões deixado pela campanha (de reeleição de Ratinho Jr de 2022). Temos uma carta do Kassab (presidente nacional do PSD, sigla de Ratinho) dizendo que o partido poderia assumir essa dívida porque não fecharam as contas da campanha. Temos ainda indícios de que serviços prestados à campanha do atual governador e seu grupo político foram subsidiados por essa prática de se obrigar funcionários a fazer contribuição ou de ter caixa 2, ou de terem cobrado menos do que realmente receberam em nota. Um valor recebido por fora era outro. Espero que o Ministério Público Federal faça diferente do que tem feito o Ministério Público estadual, o seu trabalho.

BFC – Frente ampla progressista

Requião Filho – Nossa ideia é fazer uma frente com oito partidos aqui (na eleição para o governo) do Paraná, para nos colocarmos contra o pessoal que eu digo que é preguiçoso. O slogan do pessoal do governo é: ‘vamos continuar. Se está dando certo, deixa’. O que está dando certo? ‘Está maravilhoso, o governo tem aprovação’. Mas quais são os projetos? ‘É continuar o que está bom’. Não tem projeto, proposta. Tem a vontade do poder pelo poder. E do outro lado temos o ex-juiz Sérgio Moro dizendo que ele é o arauto da Justiça, o enviado do ‘Senhor’ e vai combater a corrupção. Eu pergunto para os dois lados que se contrapõem a nós hoje: projeto para a saúde que está um caos. Filas de cirurgia, denúncias nos hospitais.

Com nossos enfermeiros, técnicos sobrecarregados. Terceirizações que estão sendo questionadas por nós, inclusive, na Justiça. É para manter isso que vocês querem ficar? Ou é para melhorar? Não tem resposta. Para o Sérgio Moro a resposta é: ‘vou combater a corrupção’. Como vamos resolver o problema da educação no Paraná, que é apresentada e vendida como a melhor do Brasil? Com os professores e nós fazendo denúncias de que alunos são retirados das chamadas, notas são alteradas. Que crianças sem condições de seguir o ano na escola são passadas de ano. Tudo isso por pedagogos, diretores e conselhos indo contra a orientação dos professores só para atingir uma nota fictícia no Ideb para ficar bonita na propaganda. É para continuar isso ou é para fazer concurso para professores, reforma de escolas, currículo ou é combate à corrupção? Como é que o combate à corrupção vai melhorar a qualidade dos professores na sala de aula? Só o combate à corrupção não é proposta de governo. É o mínimo esperado de qualquer candidato. Não ser corrupto, não querer passar pano para corrupto.

A gente tem esse desafio de convidar o povo paranaense a discutir conosco propostas de governo: educação, saúde, segurança, geração de empregos e logística. Aqui no Paraná, o governador fala que o estado é um canteiro de obras. A única obra do governo do estado de médio e grande porte é a ponte de Guaratuba, que foi feita sem a programação necessária dos acessos. Todas as outras obras ou são do pedágio – que estão sendo inauguradas sem sequer começarem – ou do governo federal. Temos um problema de logística enorme. Nosso porto está com a capacidade quase exaurida. O acesso ao porto está quase impeditivo para as indústrias e o pessoal do agro exportar. Não temos sequer uma ferrovia funcionando porque ela está privatizada. E infelizmente o governo federal e estadual continuam querendo caminhar nesse sentido sem desatar o nó que nós temos de logística.

BFC – eleição presidencial

Requião Filho – Hoje vejo, por falta de propostas e falta de condições de debate, a reeleição do Lula. Não vejo Tarcísio (de Freitas, governador de SP) alguém com capacidade de gerar um debate, apresentar uma proposta diferenciada. Entre o Tarcísio e o Lula, por mais que a gente coloque que a ‘Faria Lima’ quer o Tarcísio, o (Fernando) Haddad (ministro da Fazenda) faz a mesma política hoje que fazia lá atrás o Paulo Guedes. O mercado gosta de estabilidade. Não vejo o mercado investindo no Tarcísio como alguns blogs gostam de colocar. O Tarcísio era um candidato que se colocava como Centro direita e andou dando umas pisadas para a extrema-direita, o que lhe custou apoio, voto, credibilidade. Já Flávio Bolsonaro e esses personagens que surgem são apenas para colocar preço no partido, em tempo de televisão, em apoio. Infelizmente hoje no Brasil carecemos de uma terceira via que traga proposta ou que seja viável.

BFC – Segurança pública

Requião Filho – Acho que isso (policiais cooptados pela extrema-direita) é lenda. Temos no Paraná, na minha opinião – e eu conheço muito bem a polícia de dentro – uma das melhores polícias do Brasil. O problema no Paraná e em qualquer estado do Brasil: a polícia é mal paga, trabalha demais, é sobrecarregada e não tem apoio. Temos um policial trabalhando sete dias por semana, fazendo escalas extras. Quando ele não está de serviço, está tentando fazer bico porque o salário está defasado em relação ao que ele deveria tá ganhando, como todos os funcionários públicos estaduais.

Temos a narrativa – eu coloquei no começo que sou contra a esquerda tentar demonizar a polícia. O policial quando chega no bairro, na comunidade, vai pra lá já com aquele pensamento: ‘serei mal recebido’. A comunidade, quando vê o policial chegando, já olha e fala: ‘serei maltratado’. O que a gente esquece é que esse policial muitas vezes nasceu naquela comunidade, estudou nas mesmas escolas públicas, a mãe dele é professora, o pai foi funcionário público, caminhoneiro, motorista de ônibus. Ele vem do mesmo tecido social que aquela comunidade que vê ele como inimigo. O que que a gente precisa? Profissionalização, melhores salários, melhores condições e um melhor apoio. Porque a direita coloca o policial e apresenta ele como herói, mas quando aquele policial é envolvido num acidente tem que pagar a viatura. Quando é envolvido em um tiroteio e alguém vai a óbito no enfrentamento, não tem apoio psicológico. Quando está extremamente cansado, estressado e sendo sugado pelo sistema, o seu salário não é corrigido, mas o do coronel é.

O soldado, o cabo, o sargento, o subtenente, apanha de todos os lados. O coronel, que tem acesso ao jantar com o governador, aos vinhos caros, frequentam a mesma praia, o mesmo prédio de quatro, cinco suítes, tem o seu salário garantido, apoio, portas abertas, esse tem voz. A maioria dos policiais que colocam a vida em risco todo dia são ignorados. Isso não acontece só no militar. Pula para a Polícia Civil mesma coisa. Ele está lá fazendo investigação, mexendo com preso, que é desvio de função, cuidando de delegacia, sofrendo abuso 24 horas por dia, ele é esquecido.

O delegado ganha bem, ganha aposentadoria. O coronel ganha aposentadoria. O soldado ganha PAD (Processo Administrativo Disciplinar), o agente ganha PAD. A gente trata a polícia como se fosse inimiga. Eles apanham dos dois lados. Mas um lado, pelo menos, exalta eles no dia 7 de setembro. Novamente caímos no pertencimento. O policial vem da mesma comunidade que hoje o rejeita. É uma falta de comunicação. Aqui na Assembleia Legislativa do Paraná, todos os projetos que beneficiaram os praças ou foram assinados, coassinados por mim, ou teve meu voto a favor. Todos aqueles deputados que se dizem de direita, pró-polícia, votaram contra os policiais militares, contra os praças, os sargentos, os agentes, contra o DEPEN (Departamento Penitenciário do Paraná).

O que tem aí é venda de discurso: ‘Ah, o pessoal da direita nos protege, o pessoal da esquerda não gosta da gente’. No Paraná nós mostramos o contrário. Se você for ver as votações, projetos em defesa do policial, a maioria é nosso. Se você perguntar para os policiais, os ‘antigões’ como são chamados, qual foi o melhor governador para os praças: ‘foi o Roberto Requião’. Foi ele que congelou os salários oficiais e aumentou os dos praças. Foi ele que fez um projeto – que inclusive foi derrubado por governos de direita – onde o praça poderia chegar a oficial. Demos ao praça a chance do crescimento. A direita tirou essa chance. Os 25 de aposentadoria especial foi a direita que roubou da polícia.

Quem não aumenta o salário do policial – que aqui no Paraná chega a quase 60% de defasagem, do praça, do soldado – são os últimos dois governos ditos ‘de direita’. Então, eu acho engraçado querer vender isso de que o policial é de direita. Não, o policial é contra bandido, até por uma questão de convivência e vivência. E essa realidade que a gente precisa quebrar, de que há uma inimizade entre população e polícia. Um depende do outro, um convive com o outro.

Quem comanda a Polícia Militar é o governador de cada estado. Em teoria, a falta de segurança pública é culpa do governador, não do governo federal. Mas contratar mais polícias, colocar mais viaturas, é tratar a hemorragia com um band-aid. Você quer acabar com a violência? Introduz educação, esperança, emprego, conhecimento de classe e luta social para todos. Porque no Brasil, o que falta hoje por parte da população adulta e dos jovens é essa capacidade de empatia, de se colocar no lugar do outro.

A violência só acaba quando há esperança. Você não pode chegar para um menino de favela e falar para ele: ‘Você vai morrer aqui. A única chance de você ter o tênis que você viu na novela, o carro que você viu na novela é virando bandido. Porque se você trabalhar como seu pai trabalhou não vai sair daqui. Vai morrer com 60 anos de idade sem atendimento, no mesmo lugar que você nasceu’. O Brasil cria, por falta de educação e de condições, praticamente uma casta como tínhamos na Índia. Você nasce aqui, mora aqui, não tem chance de subir. Por que o cara vai estudar, se dedicar se não vai dar certo? A gente tem que devolver a esperança. Se a gente devolver a esperança à população, combate a violência. Agora, a violência vende jornal. É explorada politicamente, midiaticamente porque vende. A população gosta de assistir aqueles programas policiais dantescos. Aquilo gera entretenimento aqui no Brasil, nos Estados Unidos, na Suécia, onde quer que seja.

Essa é a realidade da violência. Ela é vendida como a única realidade. Por vezes você pode sair aqui em Curitiba e não ver violência, ou pode sair e sofrer um assalto. Se você perguntar no Rio de Janeiro só tem violência. Não tem praia bonita, paisagem, gente boa, roda de samba, cultura, tem vida. Só tem violência. E não é assim. Você pode ir ao Rio sem ser assaltado e voltar feliz da vida.

Tem que vender esperança. A pauta violência é explorada midiaticamente e politicamente porque afeta as pessoas. É o oposto, por exemplo, da pauta de saúde. A pessoa só sente falta da saúde pública quando precisa. Está tudo bem na saúde pública até ela bater numa UPA, numa UPS e não ter médico, remédio ou um exame para determinar se é câncer ou não. Aí ela sente, mas ela pode passar uma vida inteira sem precisar.

A violência é no dia a dia, o cara se sente afetado. Ele vê no jornal do meio-dia, da manhã, fica preocupado quando o filho sai para a escola, quando a mulher vai sair de noite para pegar as crianças, quando o marido está voltando do trabalho. Isso está sempre ali no nosso subconsciente. Isso vende e essa pauta, infelizmente, é explorada. Mas a pauta da geração de emprego não. A pauta da saúde só é explorada quando temos uma tragédia. A pauta de defesa climática e do meio ambiente só aparece quando há uma tragédia, não vende. A segurança pública será muito utilizada e de forma muito canalha por parte de governadores (na eleição). E imposto. Vejam, os governadores do Paraná, Goiás, Minas, Santa Catarina, todos subiram o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). Subindo o ICMS, sobe tudo: gasolina, arroz, feijão. Fazem isso com a certeza de impunidade, de que a imprensa não irá explicar que quem subiu o imposto foi o governador. Mas a hora que você pagar mais na gasolina vai culpar o Lula, o Maduro, a Venezuela, o governo federal e o diabo a quatro. Mas quem subiu o preço da gasolina no início desse ano foram os governadores de direita, em um discurso canalha, sabendo que eles teriam o silêncio da imprensa e a ignorância da população de como funciona o sistema.

BFC – Pequenas empresas

Requião Filho – A Ambev no Paraná tem subsídios e isenções absurdas. Ela trocou de fábrica, diminuiu o número de empregos gerados. Ela não paga imposto, tem uma capacidade de distribuição enorme. A Coca-Cola também. Uma capacidade de logística que dilui o custo e torna quase que impossível para uma pequena fábrica de sucos, refrigerantes, água, cerveja, competir com eles. É criminoso que uma multinacional que não precisa de ajuda, tenha ajuda quando uma empresa paranaense não tem.

Os pequenos têm que ter mais incentivos que os grandes. Ponto. Não posso dar um incentivo para uma multinacional que não seja igual ou tenha equivalente maior para uma indústria paranaense. É um absurdo o que fazemos aqui para financiadores de campanha. Pequenos comércios, micro e médias empresas, historicamente no Brasil são responsáveis por 90% dos empregos de carteira assinada. Aqui no Paraná, historicamente, pequenas e micros, (são responsáveis) por até 2% da arrecadação de ICMS apenas e 80%dos empregos de carteira assinada. Se zerássemos 100% o imposto para essas empresas estaríamos incentivando a economia. Mas zeramos o imposto para grandes empresas e mantemos a fiscalização com toda a força em cima dos pequenos. Essa revisão e essa reforma tributária que aconteceu agora vai tornar muito difícil de defender os pequenos.

A gente tem que criar um ambiente onde o pequeno possa crescer. O grande tem que estar de portas abertas, tem que estar firme e forte. Mas o Estado tem que servir para atender quem mais gera emprego, não para quem paga campanha.

BFC – Escola cívico-militares

Requião Filho – Você não julga um peixe pela sua capacidade de subir em árvore. Pedagogia é para quem estudou pedagogia. Eu não me meto a dar aula para 60 adolescentes porque não vai sobreviver muita gente, nem eu. Não tenho essa capacidade, esse conhecimento. Se eu quero resolver um problema cardíaco vou ao cardiologista. Você cria a escola cívico-militar baseada nessa insegurança que a população tem, de que o crime organizado tomou conta de tudo. O pai vai mandar o filho pra escola, ele acha que lá dentro tem um traficante, um aliciador, alguém que vai tomar a sua filha, vai roubar, transformá-la em prostituta ou que vão vender droga para os seus filhos e que aquele ambiente é perigoso. Você vende para o pai que nesta escola terá policiais garantindo a ordem, a lei e a segurança dos seus filhos. Isso é um atrativo. Você pega uma sociedade que perdeu a mão com as crianças e não consegue mais impor respeito em casa, moral e dá a eles a chance de terceirizar essa educação severa para um terceiro. Você desloca a culpa do pai e o trabalho dos pais para a escola. Eu não consigo fazer com que o meu filho me respeite em casa, não consigo me impor moralmente ao meu filho, passar os meus valores, vou jogar para o policial fazer isso dentro da escola.

Existem ótimos policiais dentro da escola. A polícia dentro da escola, comunitária, não é o problema. A polícia encarregada de pedagogia foge do seu objetivo. Existem bons policiais que podem ser bons pedagogos? Sim. Como existem boas professoras que podem ser ótimas policiais, mas é a exceção à regra, não a confirmação. É uma venda muito boa de uma segurança, algo que todo pai busca. A ideia de que na escola cívico-militar do Paraná seriam ‘oito refeições por dia’, exagerando, é lógico, com uniformes, material separado, um ambiente mais limpo, que seria o equivalente a uma escola particular. É lógico que todo pai quer isso para o seu filho, porque 90% da população não entende a parte pedagógica. É um discurso interessantíssimo, mas esse modelo do policial responsável pela hierarquia, a maneira como ele implementa essa hierarquia e a maneira que isso interfere na pedagogia, na liberdade do professor de dar aula, não tem como dar certo.

A polícia dentro da comunidade escolar, parceira do professor, o policial que conhece os alunos, conhece os bandidos, sabe a diferença entre quem é aluno e quem é bandido. A polícia na comunidade é essencial. A polícia dentro da escola é boa porque a gente rompe essa ideia de que polícia e população são inimigos. A gente passa a ter a polícia comunitária, convivência. Mas quando você bota a cargo de um policial, sem o devido preparo, a organização mental de centenas de adolescentes, é uma receita para o caos, como tem sido em diversos lugares. Em alguns lugares deu certo. Os diretores militares se dão muito bem com os diretores civis, que se dão muito bem com os professores, mas normalmente é uma exceção à regra.

Uma escola da associação militar da vila militar é uma coisa. São militares que são professores. Não são militares que entram para gerir uma escola sem ter conhecimento de pedagogia. A gente tem que entender a diferença do que é isso e falar pros pais: ‘Olha, o que eu quero é a melhor cena pedagógica possível, com a melhor cena social pro seu filho. E não é essa aqui’. Escola é lugar de criança que questiona, não é o cabelo cortado, a barba feita, a cor da roupa que a criança usa, que vai interferir no tipo de pessoa que essa criança vai ser no futuro. É o conteúdo ao qual ela tem acesso e como esse conteúdo chega a ela. A escola é um local de pertencimento e convívio social. Se você introduz uma criança à sociedade através do colégio e esse colégio é um local de violência psíquica, psicológica ou muitas vezes física mesmo, que tipo de sociedade você está apresentando? E que tipo de cidadão vai sair de lá? A gente tem que rever esse conceito de qual é a sociedade nós apresentamos aos nossos jovens.

BFC – Polarização

Requião Filho – Quero focar no que a gente tem em comum. Eu acredito que o homem nasce bom. Ele é corrompido pela sociedade. Qual é a ideia que eu acredito que o povo paranaense tem? Um Paraná justo, que gere emprego, dê oportunidades. Um Paraná onde ninguém passe fome. Quero conversar com os paranaenses e falar: ‘Olha, um programa de tarifa social de água e luz não é um populista. É um programa de investimento’. Porque quando você tem uma criança que tenha uma casa para ir depois do dia de escola, tem um chuveiro quente, uma geladeira para ter comida e luz para estudar de noite, ela vai terminar essa fase da vida um cidadão melhor, vai ter uma chance melhor na sociedade.

Quando você tem água, luz e teto, por incrível que pareça, é uma economia enorme para o estado na ponta, na saúde. Porque o maior gasto do SUS até hoje é com viroses, dor de barriga e vômito. Por quê? Falta de água encanada, de esgoto e de comida bem guardada. Quando você consegue falar para o cara: ‘um programa social não é populismo, é investimento no futuro”, as pessoas conseguem entender isso.

Quando você vende só bolsas, assistencialismos e que para pagar a bolsa vai ter que aumentar o imposto da classe média, porque os políticos hoje não têm coragem de cobrar imposto dos muito ricos, você cria uma inimizade entre a classe média e quem precisa de ajuda. Daqui a pouco quem vai estar precisando de ajuda é a classe média. Porque daí eles vão virar a Argentina, é o peronismo. É esse populismo desregrado para manter-se no poder como única proposta, cava um buraco.

Quando o cara fala: ‘vamos conversar em cima do que a gente quer. Quer mais estrada, indústria, emprego, salário’. Como é que a gente chega nesse denominador comum de uma vida mais justa? Se você entra nesse discurso de ódio, que só alimenta eles (a direita), não consegue conversar com o cidadão comum. O cidadão comum não vai ter nem vontade de votar.

BFC – Bancadas da “selfie”

Requião – Eu tenho de acreditar que é (possível fazer política), se não estou no lugar errado. É exaustivo estar num Parlamento de 54 deputados, onde eu garanto que mais de 50% não sabe ler um orçamento. Onde parte desses deputados faz projetos de leis pensando justamente no ‘like’ do Instagram e não na legalidade e na capacidade desse projeto acontecer. Esse jogo para a plateia realmente desgasta, toma muito tempo e situações reais que poderiam mudar a vida das pessoas são deixadas de lado. Os deputados aqui estão mais preocupados em conseguir R$ 100 mil, R$ 150 mil para mandar pintar uma escola do que reformar o currículo educacional e fazer concurso para novos professores. Estão mais preocupados em sair na foto entregando uma Dodge Ram, que teria comprado dez viaturas policiais, do que em cuidar da situação dos policiais militares e praças. É um imediatismo tão raso, é tão frágil que nos assusta. Mas isso é um reflexo da população que exige, de certa forma, esse circo. A população precisa entender mais de política, gostar mais de política, para entender que isso é só circo.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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