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Gaza, Venezuela, Conselho da Paz: o principal campo de batalha contra Trump é os EUA

Foto: FABRICE COFFRINI / AFP

O segundo governo de Donald Trump está levando ao extremo a dimensão imperialista, histórica, da política externa dos Estados Unidos. As ações intervencionistas na Venezuela, com o sequestro de Nicolas Maduro, na Palestina, com o plano de exploração imobiliária de Gaza, a pressão pelo controle da Groenlândia, junto com o combate ao multilateralismo nas relações internacionais, com o “Conselho da Paz” (sic) e com seu rompimento com mais de 60 organismos internacionais de cooperação, entre elas a Organização Mundial da Saúde, são expressões da escalada intervencionista dos EUA, sob governo Trump, em um esforço de recuperação da liderança hegemônica, questionada por outras grandes potências econômicas e pelas iniciativas soberanas de outros países.

Aliando as estratégias próprias do que se convencionou chamar de neoimperialismo com a restauração das estratégias do imperialismo clássico Trump está na ofensiva neste momento. O controle político, atuando por meio do capital, da tecnologia e da cultura, sanções econômicas e intervenções disfarçadas de promoção democrática, como visto em intervenções no Oriente Médio, com o objetivo de manter a hegemonia e acesso a recursos e mercados globais, apelidado de “soft power”, está quase secundarizado pela intervenção direta de territórios, busca de metais preciosos e gêneros de países periféricos, com anexação formal e controle militar direto. Muito próprio do colonialismo e imperialismo clássico o que, em verdade, os EUA nunca abandonaram.

A resistência à essa política é global. Manifestações de rua na Europa, objeções de governos, inclusive conservadores com o alemão, movimentos de contraofensiva da China e Rússia. Contudo, o caso da Venezuela e sua política para a América Latina demostram a disposição do uso da força militar em medidas extensas, o que faz a ofensiva trumpista escalar em padrão de violência e agressividade. O que torna relativaa eficácia dessa resistência.

A maior possibilidade de derrotar Trump está nos campos de disputa que se abrem nos próprios Estados Unidos. Trump enfrenta um grande número de investigações que transitam entre o resultado da eleição presidencial dos EUA de 2020, o manuseio de documentos confidenciais do Governo e as finanças de suas empresas, além do caso Epstein. Em novembro de 2026, haverá eleições parlamentares para a Câmara dos Representantes e um terço dos 100 assentos do Senado. Uma derrota eleitoral dificultaria a continuidade do seu programa de governo. Além disso, poderia abrir caminho para um eventual processo de impeachment.

Trump tem perdido apoio na opinião pública. Pesquisa recente da CNN constatou que 58% dos entrevistados consideram o primeiro ano do mandato de Trump um fracasso, com 55% reconhecendo que a situação econômica piorou desde que ele assumiu o cargo em janeiro de 2025. Isso inclui metade dos republicanos entrevistados, que afirmam que Trump precisa fazer mais para lidar com a questão da inflação e da acessibilidade.

Será fundamental a manutenção das manifestações de denúncia contra a política de Trump. Mas isso precisa influenciar a decisão do voto nessas eleições de meio de mandato, criando uma maioria de oposição no Congresso, para impedi-lo de continuar este caminho ascendente de virulência e imperialismo.

Jorge Branco

Sociólogo e Cientista Político, Jorge Branco pesquisa extrema direita e democracia. É autor, professor, gestor público e diretor da Revista DDF.

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