Seis milhões de judeus morreram assassinados pela máquina de extermínio nazista na Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945. Oito décadas depois, dois em cada dez brasileiros nunca ouviu falar do Holocausto. De acordo com pesquisa do instituto Ispo – feita a pedido da Confederação Israelita do Brasil (Conib); Memorial do Holocausto de São Paulo e Museu do Holocausto de Curitiba – 21% dos brasileiros – não tem nenhum conhecimento sobre essa tragédia humana histórica. Além disso, dos 59,3% que diz ter ouvido falar no assunto, só 53,2% soube defini-lo corretamente.
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O levantamento foi feito como parte da celebração do Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto, que acontece no próximo dia 27. Os dados começaram a ser coletados em abril do ano passado e se estenderam até outubro, ouvindo 7.762 pessoas de 11 regiões metropolitanas do país, com exceção da Região Norte.
Discurso de ódio
“A conclusão principal que a gente está tirando dessa pesquisa é que tem uma grande parcela da população brasileira que não sabe exatamente o que foi o Holocausto. Isso é muito importante nos dias de hoje, porque a gente está vivendo um momento em que o discurso de ódio está circulando muito pelas redes sociais. Os jovens estão consumindo muito conteúdo com apologia ao nazismo e com banalização do Holocausto”, disse Hana Nusbaum, gerente de Educação da Stand WithUs Brasil à Agência Brasil.
De acordo com o estudo, o conhecimento sobre o Holocausto se mostra ainda mais frágil quando são analisados elementos específicos sobre o tema, como o reconhecimento de que Auschwitz-Birkenau foi um campo de concentração e de extermínio do povo judeu, o que foi feito por apenas 38% dos entrevistados.
“Os holocaustos foram prioritariamente judeus, mas não apenas. Toda essa população LGBT da época foi condenada, prisioneiros políticos foram condenados, testemunhas de Jeová”, ressaltou Sergio Napchan.
Fontes
A pesquisa também demonstrou que a principal fonte de conhecimento sobre o tema é a escola (30,9%), seguida por filmes e livros (18,6%) e a internet e as redes sociais (12,5%).
Os museus, memoriais e instituições especializadas foram citados por apenas 1,7% das pessoas, o que indicou baixo acesso a espaços formais de memória.
Os dados começaram a ser coletados em abril do ano passado e se estenderam até outubro, ouvindo 7.762 pessoas de 11 regiões metropolitanas do país, com exceção da Região Norte.
Diversos atos ocorrem nos próximos dias para marcar o Dia Internacional em Memória às Vítimas do Holocausto. No domingo (25), por exemplo, um ato será realizado na Congregação Israelita Paulista em memória às vítimas do Holocausto, na capital paulista, com início às 18 h.
No dia seguinte, a Casa do Povo, também na capital paulista, deve receber a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, para um encontro com instituições da comunidade judaica e do bairro Bom Retiro. O evento terá início às 18h20.
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