Prestadores de serviço que atuam no entorno da Mynd, uma das principais agências de marketing de influência do país, participaram de conversas para viabilizar postagens em páginas de entretenimento com conteúdo favorável ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), além de críticas direcionadas ao Banco Central. As tratativas ocorreram nos últimos meses do ano passado e incluíram pedidos de orçamento para publicações periódicas.
Registros de mensagens, obtidos pela Folha de S. Paulo, mostram que uma profissional que faz a interlocução entre marcas e perfis de fofoca procurou administradores dessas páginas para sondar valores de quatro inserções no feed, com frequência semanal.
Como referência, foram enviados materiais sobre indicadores de segurança pública no estado, dados de pesquisas eleitorais comparando índices de rejeição e informações sobre iniciativas ligadas à gestão paulista.
Em uma das abordagens, o responsável pela página consultada repassou a demanda à agência que o representa e solicitou a identificação do contratante, seguindo protocolos internos de conformidade. A identificação não foi apresentada naquele momento, sob a justificativa de que a interlocutora apenas conectava interessados e veículos.
Outra empresa recém-criada, a Submarino Lab, também apareceu nas apurações ao buscar valores para publicações semelhantes. Documentos indicam vínculos entre seus responsáveis e gestores de páginas com milhões de seguidores.
Parte dessas contas foi citada em relatório da Polícia Federal na investigação conhecida como “Projeto DV”, que apura possível articulação coordenada nas redes durante a crise do Banco Master.
Especialistas apontam que a ausência de identificação clara de publicidade pode contrariar normas do Código de Defesa do Consumidor e, dependendo do alcance e impacto, gerar questionamentos na esfera eleitoral.
O governo paulista afirma que não houve aplicação de recursos públicos nas publicações mencionadas. A Mynd sustenta que não participa de campanhas eleitorais e abriu apuração interna sobre a conduta de prestadores de serviço. Outros políticos, como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira, também figuraram em conteúdos recentes; ambos negam qualquer pagamento ou articulação.
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