O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), vem adotando uma estratégia para dar maior protagonismo ao Congresso em pautas que o Palácio do Planalto considera centrais na agenda do governo. A iniciativa mais recente envolve o fim da escala de trabalho 6×1.
Após o governo sinalizar que preparava um projeto sobre o tema, Motta decidiu antecipar-se e encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça uma Proposta de Emenda à Constituição que altera a jornada prevista na Carta Magna. Segundo ele, a redução da carga semanal será tratada como prioridade na Casa.
A medida foi recebida publicamente com apoio por integrantes da base governista, mas nos bastidores gerou desconforto. Como uma PEC não depende de sanção presidencial, aliados do Planalto enxergaram no movimento uma tentativa de assumir a dianteira de uma pauta popular.
Uma reunião entre Motta e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado dos ministros responsáveis pela articulação política e pelo Trabalho, chegou a ser cogitada, mas acabou adiada e ainda não tem nova data.
Dentro do governo, há divergência sobre qual caminho seria mais rápido. Parte da equipe defende o envio de um projeto de lei com tramitação em regime de urgência. Outro grupo avalia que, se houver acordo para indicar um relator alinhado ao Planalto na CCJ, não haveria motivo para apresentar uma proposta paralela.
O embate repete episódios recentes. A regulamentação do trabalho por aplicativos e propostas na área de segurança pública também se transformaram em arenas de disputa entre Câmara e governo.
Em diferentes momentos, Motta priorizou textos já em tramitação e designou relatores que não agradaram ao Executivo, reforçando a leitura de que há uma corrida silenciosa por protagonismo político em pautas de forte apelo social.
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