A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou, na quarta-feira (11), um projeto de lei que propõe mudar o nome da tradicional Rua Peixoto Gomide, na região central da capital, para Rua Sophia Gomide. A proposta integra uma iniciativa que busca rever homenagens públicas associadas a episódios de violência contra mulheres.
O texto, identificado como Projeto de Lei 482/2025, foi apresentado pelo mandato coletivo da Bancada Feminista do PSOL em parceria com organizações da sociedade civil, entre elas Minha Sampa e Instituto Pólis. A medida tem como objetivo resgatar a memória de Sophia Gomide, assassinada em 1906 pelo próprio pai, o então senador paulista Peixoto Gomide, que se opunha ao casamento da filha.
Apesar da repercussão do crime na época, a Câmara Municipal decidiu anos depois homenagear o ex-senador. Em 1914, uma das ruas mais conhecidas da cidade recebeu o nome de Peixoto Gomide, sem qualquer menção ao episódio que marcou a história da família. A proposta atual busca corrigir esse reconhecimento público, transferindo a homenagem à vítima.
Durante a votação na CCJ, apenas o vereador Lucas Pavanato (PL) se posicionou contra o projeto. Com a aprovação no colegiado, a proposta segue agora para análise em plenário.
A iniciativa faz parte da campanha “Feminicida não é herói”, que reúne projetos voltados à revisão de homenagens concedidas a autores de feminicídio em espaços públicos da cidade. Entre as medidas em debate estão também mudanças em outras denominações de ruas, além de propostas para impedir que novos logradouros recebam nomes de pessoas envolvidas nesse tipo de crime.
Outro projeto relacionado ao tema já avançou na Câmara. O PL 483/2025, aprovado em primeira votação, estabelece a proibição de futuras homenagens a autores de feminicídio em ruas, avenidas e demais espaços públicos da capital. A expectativa é que a segunda votação ocorra ainda neste mês. Caso receba o aval definitivo dos vereadores, o texto seguirá para sanção do prefeito Ricardo Nunes.
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