A decisão de Guilherme Boulos de deixar o PSOL e se filiar ao PT abriu uma crise interna na corrente Revolução Solidária, grupo político ao qual está ligado. A mudança de partido, confirmada nos bastidores da política nacional, foi recebida com críticas por uma ala dissidente da própria organização, que divulgou uma carta com acusações sobre a forma como o processo foi conduzido.
Segundo o documento, a saída não foi repentina, mas construída ao longo dos últimos meses de 2025. A avaliação dos dissidentes é de que Boulos já articulava sua migração enquanto ainda defendia publicamente projetos dentro do PSOL. Entre os pontos citados está a negociação de espaço político no novo partido, incluindo condições para a candidatura de sua companheira, Natália, pela sigla petista.
A carta também aponta que a proposta de federação entre PSOL e PT teria sido utilizada como elemento estratégico para preparar o terreno para a mudança. Na leitura do grupo, a iniciativa ajudou a gerar desgaste interno e criou um ambiente propício para justificar a saída.
A movimentação, no entanto, não se restringe à trajetória individual de Boulos. Integrantes da dissidência afirmam que há pressão para que parlamentares e pré-candidatos ligados à Revolução Solidária também deixem o PSOL e acompanhem o deputado rumo ao PT. O temor é de que a mudança provoque um esvaziamento da corrente dentro do partido.
O episódio expôs divergências sobre os rumos políticos da organização e o papel de suas lideranças. Para os críticos, a decisão representa um afastamento do projeto original de fortalecimento do PSOL como alternativa à esquerda. Já no campo político mais amplo, a ida de Boulos ao PT é vista como um movimento de aproximação direta com o núcleo de poder do governo federal.
Diante do cenário, a ala dissidente pede que militantes permaneçam no PSOL e se organizem para enfrentar o que consideram uma ruptura que ultrapassa o campo partidário e atinge a identidade política do grupo.
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