A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (7), colocou o senador Ciro Nogueira no centro de uma investigação que apura suspeitas de vantagens concedidas pelo empresário Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-banqueiro teria custeado despesas pessoais do parlamentar, além de disponibilizar imóveis, viagens internacionais em jatinho e cartões para pagamentos de gastos no exterior.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do STF, que apontou indícios de uma relação considerada além de vínculos pessoais entre o senador e o empresário. A decisão cita um suposto arranjo construído para favorecer interesses mútuos, o que motivou o avanço das apurações e a execução de medidas de busca e apreensão.
Entre os elementos reunidos pela investigação estão mensagens trocadas por interlocutores ligados a Vorcaro tratando do pagamento de restaurantes frequentados pelo senador e por sua esposa, além de referências a viagens para destinos internacionais, como a ilha caribenha de Saint Barth. Também aparecem no inquérito despesas com hospedagens em hotéis de luxo em Nova York e o uso de um imóvel de alto padrão cedido sem custo.
A decisão judicial ainda menciona repasses financeiros que poderiam chegar a R$ 500 mil mensais, além da aquisição de participação societária avaliada em R$ 13 milhões. Para a PF, o conjunto das informações reforça a necessidade de aprofundar a coleta de provas e evitar possível destruição de evidências.
Ao todo, a operação cumpre dez mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de R$ 18,8 milhões em bens e contas. Um dos presos é Felipe Vorcaro, primo do banqueiro investigado. A defesa de Ciro Nogueira afirma que o senador nega irregularidades e sustenta que não participou de qualquer atividade ilícita.
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