A prisão do empresário Adair Meira, investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, colocou sob análise contratos milionários firmados entre a Fundação Pró-Cerrado e o Governo de Goiás. Somados, os acordos ativos chegam a R$ 141,5 milhões e envolvem prestação de serviços terceirizados para órgãos estaduais.
Meira foi detido na semana passada, em Goiânia, durante uma operação conduzida pelas polícias civis de São Paulo e Goiás. Segundo a investigação, ele seria um dos articuladores de movimentações financeiras relacionadas ao 4TBank, fintech apontada pelas autoridades como usada para circulação de recursos da facção criminosa. A defesa do empresário nega qualquer envolvimento com o PCC e afirma que todas as atividades empresariais seguiram a legislação.
De acordo com relatórios da Polícia Civil paulista, entidades e empresas ligadas a Meira teriam sido usadas para misturar dinheiro de origem lícita e ilícita. A apuração indica que boletos emitidos pela fintech eram pagos por organizações associadas ao empresário e, posteriormente, os valores retornariam em espécie após saques realizados pelos operadores do esquema.
Entre as instituições citadas está a Fundação Pró-Cerrado, presidida atualmente por Meira e responsável por contratos de terceirização com o governo goiano desde 2010. A organização fornece mão de obra para áreas administrativas, atendimento telefônico e transporte em secretarias estaduais. Quatro contratos seguem vigentes na atual gestão estadual, incluindo acordos assinados entre 2021 e 2025.
Após a repercussão do caso, o Governo de Goiás informou que abriu uma verificação sobre os contratos firmados com a entidade. A administração estadual destacou que a investigação não envolve diretamente o Executivo goiano, mas afirmou que a Controladoria do Estado fará uma análise preventiva dos acordos em vigor.
A Fundação Pró-Cerrado declarou que não é alvo da operação policial e informou que Adair Meira foi afastado temporariamente de suas funções por medida de governança. Outras entidades citadas na investigação, como a Fundação Sagres e a Renapsi, também negaram irregularidades e afirmaram não possuir relação administrativa com o empresário.
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