O fim da Moratória da Soja pode provocar um aumento expressivo no desmatamento da Amazônia na próxima década, segundo um estudo publicado na revista Science. De acordo com os pesquisadores, a extinção do acordo poderá resultar na derrubada adicional de 1,4 milhão de hectares de floresta em dez anos, volume 17% superior às taxas históricas registradas na região.
Além da perda de cobertura florestal, o estudo estima que esse cenário liberaria cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente na atmosfera, quantidade semelhante às emissões anuais de gases de efeito estufa do Canadá.
Os autores também alertam que o fim da Moratória pode ampliar a pressão sobre áreas públicas suscetíveis à especulação fundiária, colocando em risco até 28,7 milhões de hectares de florestas, especialmente em regiões com potencial de expansão da infraestrutura e da agricultura.
A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado entre empresas, governo e organizações da sociedade civil que impede a comercialização de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após 2008. O artigo foi elaborado por pesquisadores do WWF-Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e das universidades de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos.
Os pesquisadores destacam que a política apresentou resultados expressivos desde sua criação. Nos primeiros dez anos de vigência, a Moratória reduziu em 35% o desmatamento em áreas de maior risco de expansão da soja, evitando a perda estimada de 1,8 milhão de hectares de floresta.
Para Tiago Reis, pesquisador do WWF-Brasil, a iniciativa demonstra que é possível conciliar crescimento da produção agrícola com conservação ambiental. Segundo ele, o desafio agora é manter mecanismos eficazes de combate ao desmatamento como parte da estratégia de desenvolvimento do país.
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