A 40 minutos de Curitiba, empreendimentos praticam o turismo responsável e a agricultura sustentável como ferramentas de segurança hídrica
Uma bacia que integra a tríade de mananciais responsável por abastecer de água uma parcela significativa de Curitiba e Região Metropolitana somada a um município que responde por parte expressiva da produção de hortaliças do Paraná. E, no meio de tudo isso, uma dúvida prática que o Movimento Viva Água busca responder:
como associar a produção rural ao meio ambiente bem conservado enquanto a cidade avança e o clima muda?
A iniciativa na bacia do rio Miringuava, em São José dos Pinhais é coletiva, e vem construindo essa resposta com os produtores da região a partir de duas frentes complementares: o Destino Miringuava, rota de turismo rural responsável a cerca de 40 minutos da capital, e o Guaviva Alimentos, marca que leva à população os alimentos de quem adota práticas agrícolas sustentáveis no território.

Solo exposto, água turva, tratamento mais caro
No manejo agrícola tradicional, o solo passa boa parte do ciclo exposto. Uma das consequências mais perceptíveis das mudanças climáticas atualmente é o aumento da intensidade dos fenômenos climáticos, como as chuvas. Quando chove forte, a água carrega partículas de terra para dentro do rio. O resultado é a turbidez, um fenômeno que torna a água mais suja e, chegando ao ponto de captação, o tratamento fica mais caro e demorado.
Outro cenário potencializado pelas mudanças do clima é o da estiagem, que tem durado cada vez mais. Em ambos os casos, as mesmas soluções podem ser aplicadas: manter o solo coberto, adensar a vegetação e favorecer a recarga do lençol freático. As práticas são adotadas pelos produtores do Guaviva Alimentos — sete mulheres e dois homens — e associada a outros sistemas e técnicas sustentáveis, como o Sistema de Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), que mantém o solo protegido e ajuda a amenizar a temperatura da terra; a produção orgânica, aquela que não utiliza agrotóxicos; os Sistemas Agroflorestais (SAFs), que combinam árvores e cultivos e favorecem a recuperação de nascentes; os sistemas de irrigação inteligente, que levam em conta a previsão climática para o uso responsável da água; e a hidroponia em estufa, especialmente no morango, cultura de forte tradição na região; entre outras.
A adoção dessas práticas acontece propriedade a propriedade, em um trabalho de sensibilização que o movimento realiza caso a caso, respeitando o ritmo de cada família e fornecendo informações.
Os produtos do Guaviva Alimentos são comercializados por meio de representação local, com participação em feiras e eventos de São José dos Pinhais, Curitiba e região. A marca também atende eventos com serviço de catering sustentável, mediante reserva antecipada.
Turismo rural como forma de manter o território rural
O turismo entra na realidade da bacia do Miringuava como estratégia de resiliência econômica. Ao abrir a propriedade para visitação, colheita, atividades pedagógicas ou hospedagem, o produtor cria uma fonte de renda adicional sem abrir mão da atividade agrícola, além de reforçar a tradição rural do território.
São José dos Pinhais já é conhecido por rotas como as do vinho e do morango. A proposta do Destino Miringuava é somar a esse cenário um roteiro construído sobre os compromissos de cuidado com a natureza, benefício para a comunidade local e uma experiência real para quem visita.
Hoje são 17 empreendimentos no mapa turístico, com bastante variedade. Tem colha e pague de morango, hortaliças, uvas e frutas da estação, pousadas e hospedagens em meio à Mata Atlântica conservada, de casas campeiras a quartos-contêiner instalados no bosque, trilhas leves, campos de flor, observação de natureza e passeios guiados de ecoturismo até áreas de reserva. Os atrativos gastronômicos também são variados: café colonial que preserva a herança polonesa da região, cantina italiana com rodízio e eventos sazonais, enoturismo, pesque e pague com comida caseira. Além de tudo isso, há propriedades que recebem escolas e famílias para atividades pedagógicas sobre o modo de vida no campo, água e meio ambiente.
Para fazer parte da rota, no entanto, é preciso estudar e cumprir requisitos. Os empreendedores passam por um processo de formação e certificação conduzido no âmbito do movimento, com o Sebrae à frente das capacitações, organizado em ciclos que se repetem ano a ano. Neste momento, o programa está em sua terceira edição. A avaliação considera critérios objetivos de turismo responsável, como gestão da água, da energia e dos resíduos, além das práticas de relacionamento com a comunidade local. Apenas os empreendimentos que cumprem o percurso recebem a chancela e passam a figurar no mapa.
Ao mesmo tempo em que qualifica a experiência do visitante, a formação funciona como porta de entrada para outras agendas. Parte dos empreendedores que chegam pelo turismo acaba se engajando depois em restauração ecológica e em práticas agrícolas mais sustentáveis.
O planejamento da visita é feito pelo mapa turístico da rota, que reúne os empreendimentos participantes com localização, contatos e tipo de atividade. Ele está disponível em versão interativa no Google Maps, que permite traçar rotas entre os pontos, e também em PDF para download.

Serviço
O Destino Miringuava reúne propriedades e experiências de turismo rural responsável na bacia do rio Miringuava, em São José dos Pinhais (PR), a cerca de 40 minutos de Curitiba. O mapa da rota, com os empreendimentos participantes e as formas de agendamento, está disponível em destinomiringuava.com.br.
Os produtos do Guaviva Alimentos são comercializados por meio de representação local, com participação em feiras e eventos da região metropolitana. O contato para pedidos de cestas de produtos e reserva de catering sustentável é (41) 3121-1720 (WhastApp).
Sobre o Movimento Viva Água
O Movimento Viva Água é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário voltada à segurança hídrica e ao desenvolvimento territorial, com atuação em bacias estratégicas para o abastecimento urbano. Na bacia do rio Miringuava, em São José dos Pinhais, o movimento articula agricultores familiares, empreendedores de turismo, poder público e setor privado em torno de práticas agrícolas adaptadas às mudanças climáticas, restauração ecológica e geração de renda no campo. O trabalho conta com a Sanepar como investidora estratégica e com formações conduzidas pelo Sebrae.
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