Governo Trump fez 21 exigências ao Brasil para negociar tarifaço em 2025
Segundo reportagem do Estadão, o governo de Donald Trump apresentou ao Brasil uma lista de 21 exigências como parte das negociações para reduzir as tarifas impostas aos produtos brasileiros.
O documento foi entregue em 16 de outubro de 2025, durante missão a Washington liderada pelo chanceler Mauro Vieira, e ia muito além de questões comerciais: incluía demandas sobre eleições, liberdade de expressão, plataformas digitais, sanções financeiras, minerais críticos, investimentos e política industrial.
Um dos pontos mais politicamente sensíveis tratava diretamente da eleição presidencial brasileira de 2026. Os Estados Unidos cobravam o compromisso com eleições consideradas “livres e justas” e pediam que pessoas classificadas como “dissidentes políticos” não fossem presas, detidas ou impedidas arbitrariamente de participar do processo eleitoral.
Jair Bolsonaro não era citado nominalmente no documento; segundo os relatos publicados, integrantes do governo brasileiro interpretaram a cláusula como relacionada à situação do ex-presidente.
A proposta também estabelecia condições para empresas americanas de tecnologia, serviços digitais e instituições financeiras. Washington pretendia obter garantias contra medidas que considerasse discriminatórias às companhias dos EUA, ampliar o direito de contestação das plataformas em decisões sobre conteúdo e evitar que instituições financeiras brasileiras fossem punidas no Brasil por cumprir sanções impostas pelos Estados Unidos.
No campo econômico, havia demandas envolvendo redução de tarifas, minerais críticos, investimentos estrangeiros, compra de aeronaves americanas, soja e siderurgia.
As condições foram consideradas inaceitáveis pelo governo brasileiro e não serviram de base para as negociações formais, segundo os relatos publicados. Em janeiro de 2026, os americanos apresentaram uma segunda proposta, reduzida a sete setores e 14 tópicos, sem as questões de política doméstica presentes no primeiro documento. As negociações comerciais, porém, continuaram e passaram por novas rodadas ao longo de 2026.
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As 21 exigências apresentadas pelos EUA
1. Eliminar tarifas brasileiras sobre produtos americanos, incluindo etanol, produtos químicos, máquinas, itens automotivos e produtos de alta tecnologia.
2. Permitir a entrada de bens remanufaturados, sem proibições ou outras restrições à importação.
3. Garantir tratamento não discriminatório aos serviços digitais americanos, evitando tributos que atingissem especificamente ou desproporcionalmente empresas dos EUA.
4. Fazer com que o Banco Central adotasse neutralidade competitiva nos sistemas e arranjos de pagamentos.
5. Não cobrar tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas e apoiar uma moratória permanente desse tipo de cobrança na OMC.
6. Evitar regulações no mercado digital que, na avaliação americana, restringissem injustificadamente o comércio dos EUA.
7. Garantir eleições presidenciais livres e justas em 2026 e não prender, deter ou restringir arbitrariamente a participação de pessoas classificadas como “dissidentes políticos”.
8. Impedir a aplicação pelo Brasil de multas, bloqueios de ativos, detenções ou outras punições contra cidadãos e empresas americanas por manifestações que os EUA considerassem protegidas pela Primeira Emenda de sua Constituição.
9. Assegurar às plataformas digitais americanas direito de defesa e contestação de decisões, multas e penalidades relativas a conteúdos, além de regras claras para remoção de publicações e responsabilidade civil.
10. Garantir que instituições financeiras brasileiras não fossem punidas por cumprir sanções financeiras impostas pelos EUA.
11. Não restringir produtos americanos apenas pelo uso de determinadas denominações de carnes e queijos.
12. Informar previamente aos EUA possíveis transferências de ativos envolvendo mineração e minerais críticos.
13. Proibir a importação de produtos associados ao trabalho forçado, ainda que o trabalho forçado tivesse sido empregado apenas em parte da cadeia produtiva.
14. Aproximar as normas brasileiras de padrões internacionais e americanos e facilitar a entrada de produtos dos EUA que já estivessem de acordo com esses padrões.
15. Ampliar a cooperação econômica e de segurança em cadeias de suprimentos, investimentos, controles de exportações e segurança econômica.
16. Criar mecanismos para restringir determinados investimentos estrangeiros considerados preocupantes pelos EUA nos setores de mineração e indústria.
17. Estimular companhias aéreas brasileiras a assumir compromissos de compra de aeronaves comerciais fabricadas nos Estados Unidos, incluindo aviões da Boeing.
18. Fortalecer o combate ao desmatamento ilegal e a fiscalização das normas de proteção das florestas.
19. Reforçar o combate à pesca ilegal, não declarada e não regulamentada, inclusive restringindo o comércio dos produtos provenientes dessas atividades.
20. Estabelecer cooperação entre Brasil e EUA para buscar maior estabilidade no comércio internacional de soja.
21. Cooperar para enfrentar o excesso de capacidade na produção mundial de aço.
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