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Antes da autorização da Anvisa, Mounjaro chegou a Alcolumbre via contato foragido

Alcolumbre
(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A circulação de mensagens trocadas em 2024 expôs a relação próxima entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, investigado pela Polícia Federal e atualmente foragido. Os diálogos, revelados pelo UOL, mostram que o empresário se mobilizou para entregar ao parlamentar canetas de Mounjaro, medicamento para perda de peso que, naquele período, ainda não tinha autorização para ser vendido no Brasil.

A aproximação teria se firmado meses antes, durante um almoço em Brasília que comemorava o aniversário de 49 anos de Antonio Rueda, presidente do União Brasil. No encontro, Alcolumbre comentou com convidados a dificuldade para obter o remédio, cuja compra dependia de contatos no exterior e chegava a custar cerca de R$ 15 mil por mês.

Beto Louco então se dispôs a resolver o problema, recorrendo a uma mulher que viajava com frequência para Dubai e conseguiria comprar o produto fora do país.

As mensagens mostram que, no início de agosto de 2024, o empresário acionou um motorista particular para buscar o medicamento que chegaria em um voo comercial. A conversa indica que o motorista já sabia quem receberia a encomenda e se encarregou de levar o material até Brasília.

Horas mais tarde, o mesmo motorista enviou ao empresário um áudio atribuído a Janduí Nunes Bezerra Filho, então motorista de Alcolumbre e hoje assessor parlamentar, informando que a entrega havia sido concluída e que o senador já estava a par da situação.

O episódio ganha peso porque Beto Louco é investigado em operações da PF que investigam supostos esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, incluindo possíveis vínculos com postos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A participação dele na obtenção do Mounjaro reforça questionamentos sobre sua influência e sobre o alcance de suas relações políticas em Brasília.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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