A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), está sendo acusada de usar a Polícia Civil para espionar adversários políticos com fins eleitorais. Pré-candidata à reeleição, ela teria como alvo o prefeito de Recife, João Campos (PSB), apontando pelas pesquisas como favorito na disputa pelo governo estadual nas eleições deste ano.
De acordo com as denúncias, policiais civis teriam instalado um rastreador GPS no veículo de Eduardo Monteiro, assessor da Prefeitura do Recife e irmão de Gustavo Monteiro, secretário municipal de Articulação Política e Social, sem autorização judicial. As informações seriam compartilhadas em um grupo de WhatsApp chamado “Nova Missão”, composto por agentes e delegados.
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Polícia paralela
De acordo com reportagem veiculada pela TV Record neste domingo (25), o objetivo da “arapongagem” era enfraquecer a pré-candidatura de Campos, monitorando os passos do prefeito e de integrantes de sua equipe. Para isso, a governadora teria criado uma espécie de “polícia paralela”. Documentos internos e mensagens trocadas pelos policiais comprovariam as suspeitas.
A própria Polícia Civil admitiu ter feito esse monitoramento de integrantes da administração municipal, alegando ter recebido denúncias anônimas, mas alegou que as apurações iniciais acabaram sendo encerradas por falta de indícios concretos.
Coação
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) também relatou que servidores da corporação estariam sendo coagidos a cumprir ordens ilegais, sob risco de retaliações, o que indicaria um ambiente de intimidação e desvio de finalidade na corporação.
A Prefeitura do Recife repudiou as ações como “um absurdo inaceitável em um Estado Democrático de Direito”, classificando-as como abusivas e ilegais. Gustavo Monteiro declarou estar abalado e disse avaliar a possibilidade de acionar a Polícia Federal para investigar o caso.
