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Ausência paterna marca 21% dos lares brasileiros, revela pesquisa

O número revela não apenas mudanças nos arranjos familiares, mas também a persistência de um problema estrutural: a falta de compromisso paterno no cuidado e na criação dos filhos. (Foto: Freepik/Reprodução)

Um dado preocupante chama atenção na pesquisa Brasil no Espelho, da Globo, realizada pela Quaest Consultoria e Pesquisa e divulgada na última semana: em 21% dos lares brasileiros o pai está ausente. O número revela não apenas mudanças nos arranjos familiares, mas também a persistência de um problema estrutural: a falta de compromisso paterno no cuidado e na criação dos filhos.

A pesquisa mostra também que a centralidade da família permanece inquestionável na vida dos brasileiros: 96% consideram a família a coisa mais importante da vida, e 89% afirmam que suas decisões são tomadas pensando nos familiares. Mas a realidade mostra que muitas vezes essa responsabilidade recai de forma desigual. As mulheres, sobretudo mães solo, continuam sendo o pilar de milhões de lares, acumulando funções de cuidado, sustento e educação.

Ao mesmo tempo, o conceito de família tem se transformado. Para 90% dos brasileiros, o que define uma família é o amor, independentemente do modelo ou da configuração. Esse entendimento mais amplo ajuda a legitimar arranjos familiares diversos, como os formados apenas por mães e filhos, que hoje representam 17% das famílias no país.

Ainda que o modelo tradicional de casal com filhos siga predominante (40%), ele vem perdendo espaço em relação a 2019 (42%). Outros formatos, como pessoas vivendo sozinhas (12%) ou famílias multigeracionais com avós, netos e pais sob o mesmo teto, também aparecem com relevância.

O dado sobre a ausência paterna, porém, expõe uma ferida aberta: a paternidade no Brasil ainda é marcada por altos índices de abandono. Mais do que um retrato cultural, o número aponta para a necessidade de políticas públicas de apoio à parentalidade responsável, proteção às mães solo e fortalecimento da rede de cuidado coletivo.

Se, por um lado, a pesquisa mostra que a família segue sendo um espaço de afeto, confiança e pertencimento, quando 80% dizem que família é quem está presente, mesmo sem laços de sangue, por outro, revela que esse ideal precisa ser sustentado por uma prática mais justa, em que homens assumam de fato sua responsabilidade.

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Maria Coelho

Jornalista com experiência em veículos como a Agência Estadual de Notícias do Paraná. Integra atualmente a equipe do Brasil Fora da Caverna.

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