A disputa pelo comando da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novos contornos na Câmara dos Deputados. Lideranças do Centrão articulam para assumir a relatoria do texto, em um movimento que amplia a influência do bloco sobre uma das pautas trabalhistas mais sensíveis em debate no Congresso.
A movimentação diverge do entendimento do Palácio do Planalto, que articulava para que a deputada Erika Hilton (PSol-SP) fosse designada relatora da proposta. A parlamentar é uma das principais defensoras da mudança na jornada e participou da construção da proposta que tramita na Casa.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), passou a atuar diretamente nas negociações e promoveu um encontro remoto com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Leur Lomanto Júnior (União-BA), para alinhar os próximos passos da proposta.
No encontro, ficou acertado que o nome do relator será anunciado na manhã da próxima terça-feira (24). Também foi definido que a CCJ deverá estruturar uma agenda de audiências públicas para ampliar o debate.
A intenção é ouvir diferentes setores impactados pela eventual alteração na legislação trabalhista, com atenção especial a representantes do empresariado, que demonstram preocupação com os efeitos econômicos da medida.
Nos bastidores do governo, há avaliação de que o Executivo precisa ter papel mais ativo na condução da pauta. Integrantes da equipe presidencial defendem que o Planalto apresente um texto próprio, capaz de reunir as propostas já protocoladas, o que permitiria maior controle político sobre o conteúdo final.
A movimentação revela que, além do mérito da proposta, está em jogo a disputa por protagonismo na agenda trabalhista em um momento estratégico para o Congresso e para o governo.
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