O empresário Maurício Camisotti, investigado por participação em um esquema que teria atingido aposentados e pensionistas do INSS, iniciou negociações com a Polícia Federal para firmar um acordo de delação premiada. Preso desde setembro do ano passado na Penitenciária II de Guarulhos, em São Paulo, ele é apontado pelos investigadores como uma das figuras centrais do caso.
A apuração veio à tona após a Operação Sem Desconto, que também resultou na prisão do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nos bastidores como “Careca do INSS”. Ambos são suspeitos de atuar na articulação de descontos considerados irregulares em benefícios previdenciários, realizados sem autorização dos titulares.
Segundo as investigações, o grupo teria utilizado acordos de cooperação com o próprio INSS para viabilizar as cobranças indevidas. O esquema teria gerado prejuízos diretos a beneficiários, atingindo valores retirados mensalmente de aposentadorias e pensões.
As tratativas para a colaboração estão sendo conduzidas pelos advogados Átila Machado e Celso Vilardi, profissionais com histórico de atuação em casos de grande repercussão nacional, incluindo acordos firmados durante a Operação Lava-Jato. Para ter validade, o eventual acordo ainda precisará do aval do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pela relatoria do processo.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reforçaram as suspeitas sobre Camisotti. De acordo com os dados, ele realizou saques que somam R$ 7,2 milhões em espécie ao longo de sete anos, movimentação considerada atípica pelos órgãos de controle.
A Polícia Federal investiga o empresário por lavagem de dinheiro, ocultação de bens e participação em organização criminosa. A expectativa é que um eventual acordo de delação possa detalhar a estrutura do esquema e indicar outros envolvidos.
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