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Desmatamento na Amazônia cai 41% em agosto, menor nível desde 2017, revela pesquisa

A imagem mostra a Terra Indígena Karipuna (RO).
Desmatamento na Terra Indígena Karipuna (RO). (Foto: Rogério Assis / Greenpeace)

Um levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta terça-feira (30), mostra que o desmatamento na Amazônia Legal registrou queda de 41% em agosto de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Foram destruídos 388 km² de floresta, número que marca o início do calendário de desmatamento de 2026, válido até julho do próximo ano.

Apesar da redução, a perda ainda equivale a mais de 1,2 mil campos de futebol de floresta por dia. O número, no entanto, é o menor registrado para o período desde 2017, ou seja, em oito anos.

O Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), do Imazon, também indica que, no acumulado de janeiro a agosto de 2025, houve queda de 20% em comparação ao ano anterior. Ainda assim, a Amazônia perdeu 2.014 km² de mata nos oito primeiros meses de 2025, quase três vezes a área da cidade de Salvador. Os maiores valores deste intervalo seguem sendo os de 2021 e 2022, anos em que a devastação bateu recordes históricos.

Acre lidera desmatamento em agosto

Acre (26%), Amazonas (26%) e Pará (23%) concentraram 75% da área desmatada em agosto. O Acre se destacou negativamente: foi o estado que mais perdeu cobertura vegetal e teve quatro municípios entre os dez mais afetados. O Amazonas apareceu com três.

Municípios mais desmatados – Agosto de 2025

  1. Feijó (AC) – 23 km²
  2. Tarauacá (AC) – 20 km²
  3. Rio Branco (AC) – 12 km²
  4. Colniza (MT) – 12 km²
  5. Caracaraí (RR) – 12 km²
  6. Lábrea (AM) – 11 km²
  7. Apuí (AM) – 10 km²
  8. Porto Velho (RO) – 9 km²
  9. Canutama (AM) – 7 km²
  10. Manoel Urbano (AC) – 7 km²

O cenário no Acre é ainda mais grave quando observadas as unidades de conservação. Das dez mais impactadas, cinco estão no estado, incluindo a Reserva Extrativista Chico Mendes, que liderou a lista com destruição equivalente a 500 campos de futebol.

Unidades de conservação mais desmatadas – Agosto de 2025

  1. Resex Chico Mendes (AC) – 5 km²
  2. APA Triunfo do Xingu (PA) – 3 km²
  3. Resex Alto Juruá (AC) – 3 km²
  4. FES do Rio Gregório (AC) – 2 km²
  5. Resex Guariba-Roosevelt (MT) – 2 km²
  6. FES do Mogno (AC) – 2 km²
  7. Resex Rio Preto-Jacundá (RO) – 2 km²
  8. Resex Riozinho da Liberdade (AC) – 1 km²
  9. FES do Rio Liberdade (AC) – 1 km²
  10. APA Guajuma (AM) – 1 km²

Degradação cai 81% em agosto

A degradação florestal, causada por queimadas e extração madeireira, também apresentou queda expressiva: passou de 2.870 km² em agosto de 2024 para 559 km² em agosto de 2025. Apesar da redução de 81%, o número ainda é o sétimo maior da série histórica e representa a perda de 1,8 mil campos de futebol de vegetação por dia.

O Mato Grosso concentrou 50% de toda a área degradada em agosto, seguido por Pará (22%) e Acre (14%). Juntos, os três estados somaram 484 km² de florestas degradadas, uma área superior à da cidade de Curitiba.

Municípios mais degradados – Agosto de 2025

  1. Aripuanã (MT) – 92 km²
  2. Feijó (AC) – 55 km²
  3. Colniza (MT) – 48 km²
  4. Porto Velho (RO) – 34 km²
  5. Aveiro (PA) – 27 km²
  6. Cotriguaçu (MT) – 22 km²
  7. Santarém (PA) – 20 km²
  8. Rio Branco (AC) – 20 km²
  9. Portel (PA) – 20 km²
  10. Paragominas (PA) – 19 km²

Entre as unidades de conservação, os maiores registros foram na Flona de Jacundá (RO), Flona de Altamira (PA) e APA dos Campos de Manicoré (AM).

Unidades de conservação mais degradadas – Agosto de 2025

  1. Flona de Jacundá (RO) – 17 km²
  2. Flona de Altamira (PA) – 16 km²
  3. APA dos Campos de Manicoré (AM) – 11 km²
  4. Flona Caxiuanã (PA) – 10 km²
  5. Resex Rio Preto-Jacundá (RO) – 0,1 km²
  6. Parna dos Campos Amazônicos (RO/AM/MT) – 0,1 km²
  7. FES do Rio Gregório (AC) – 0,1 km²
  8. APA do Tapajós (PA) – 0,09 km²
  9. Flona do Bom Futuro (RO) – 0,05 km²
  10. Resex Chico Mendes (AC) – 0,05 km²

Duas terras indígenas registraram degradação no mês: Marãiwatsédé (MT), do povo Xavante, e o Parque Indígena do Xingu (MT), habitado por diversos povos, entre eles Ikpeng, Kamaiurá, Kuikuro, Mehinako e Yawalapiti.

Acumulado de janeiro a agosto mostra queda de 54%

No acumulado de janeiro a agosto de 2025, a degradação florestal caiu 54% em relação a 2024, passando de 6.008 km² para 2.744 km². Apesar da redução, a área ainda é superior ao território da cidade de Palmas, capital do Tocantins.

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Redação BFC

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