Uma empresa vinculada ao ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, recebeu transferências que somam cerca de R$ 3,6 milhões provenientes do Banco Master e da gestora de investimentos Reag.
As movimentações aparecem em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por identificar operações financeiras consideradas atípicas.
Os repasses foram direcionados à A&M Consultoria Ltda., companhia criada por ACM Neto em sociedade com a esposa no fim de dezembro de 2022, pouco depois do término das eleições daquele ano. A empresa foi registrada com capital social de R$ 2 mil e tem como principal atividade a prestação de serviços de consultoria em gestão empresarial.
Dados analisados pelo Coaf indicam que, entre junho de 2023 e maio de 2024, a consultoria recebeu cerca de R$ 2,9 milhões em transferências feitas pelas duas instituições financeiras. Desse montante, aproximadamente R$ 1,5 milhão foi repassado pela Reag em 11 operações.
Já o Banco Master realizou nove transferências que, juntas, somaram cerca de R$ 1,3 milhão. Antes disso, em 2023, a empresa já havia recebido outros valores das mesmas instituições.
O relatório também registra que, no mesmo período em que a empresa recebeu os repasses, ACM Neto foi remunerado por meio de transferências feitas pela própria consultoria, totalizando cerca de R$ 4,2 milhões distribuídos em diferentes pagamentos.
No documento, o Coaf aponta que o volume de recursos movimentado pela empresa chamou atenção por ser considerado elevado em relação à capacidade econômica inicialmente informada no momento de sua abertura.
Procurado para comentar as movimentações, ACM Neto confirmou que recebeu os valores e afirmou que eles são resultado de contratos de consultoria firmados após deixar cargos públicos. Segundo ele, os serviços prestados incluíram análises sobre o cenário político e econômico do país, além de reuniões técnicas com representantes das empresas contratantes.
O ex-prefeito também afirma que os contratos foram formalizados e que os tributos relacionados às atividades foram devidamente recolhidos.
O Banco Master passou a ser investigado pela Polícia Federal após suspeitas de um esquema financeiro que pode envolver bilhões de reais em operações irregulares. A instituição teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025.
O banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao controle do banco, foi preso novamente recentemente por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no contexto dessas apurações.
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