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Guerreira de Justinópolis em Brasília, Dandara diz que cotas só ameaçam quem quer manter privilégios

Em abril de 2017, Dandara Tonantzin Silva Castro (PT-MG) estudava Pedagogia na Universidade Federal de Uberlândia (MG), quando foi vítima de um grave ataque de violência racial ao participar de um baile de formatura de colegas de outro curso. Um grupo incomodado com a presença de uma mulher preta em um ambiente elitizado a cercou, jogou no chão o turbante que ela usava e despejou latinhas de cerveja sobre sua cabeça.

Registrado em boletim de ocorrência, o caso foi arquivado pela Justiça sob a alegação de que não houve racismo no episódio, mas apenas uma “guerrinha de cerveja” de pessoas “deselegantes”.

Uma humilhação pública dessa natureza levaria muitos a se retraírem. Não para quem entendeu desde muito cedo que “só a luta muda a vida” e que carregava essa consciência ancestral antes mesmo de nascer. Dandara é o nome da líder guerreira do Quilombo de Palmares, companheira de Zumbi no mais emblemático enclave utópico negro da história brasileira.

Filha de Cristiane, mãe preta empregada doméstica, e Lusmiro, pai branco filósofo, Dandara nasceu em Gurinhatã, pequeno município a 700 quilômetros de Belo Horizonte e cresceu em meio a reuniões de movimentos sociais em sua casa, em uma favela do distrito de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, cidade da região metropolitana da capital mineira. Aos 16 anos, entrou na universidade como cotista e descobriu como a educação emancipadora é capaz de revolucionar a vida de pessoas historicamente marginalizadas.

Em 2020, já em sua primeira experiência como candidata a um cargo público, Dandara foi eleita a vereadora mais votada de Uberlândia, apesar da falta de recursos e das dificuldades inerentes de inserção de uma mulher preta e periférica em um ambiente majoritariamente misógino e preconceituoso.

Dois anos depois, foi eleita para a Câmara Federal, onde o destino lhe conferiu, logo no início do mandato, a responsabilidade de comandar o processo de discussão da nova Lei de Cotas Raciais. Com a ajuda de universidades, juristas, movimentos negros, sociais e estudantis, ela conseguiu emplacar praticamente todos os pontos prioritários da reformulação dessa política afirmativa e em tempo recorde. Os únicos partidos que votaram contra foram o PL de Bolsonaro e o “Novo”.

Com a experiência precoce de quem já enfrentou obstáculos que fariam a maioria desistir, Dandara afirma ter hoje, mais do que nunca, a convicção de que os avanços sociais só acontecem com pressão popular. Em entrevista ao Brasil Fora da Caverna, a deputada explica por que considera que o principal desafio do campo progressista no País atualmente é se reconectar com os sonhos dos trabalhadores.

Para isso é fundamental ter a humildade de saber se aproximar dos que ainda se sentem alijados dos projetos políticos tradicionais falando a linguagem do povo e usando os meios de comunicação digitais de forma criativa e eficaz. “Precisamos formar uma geração de influenciadores de esquerda, ciberativistas de esquerda, hackers do campo progressista. Precisamos disputar esse tal algoritmo que todo mundo fala”, defende.

“Cotas são a maior ação afirmativa que o movimento negro construiu”. Foto: divulgação

BFC: família e luta

Dandara: meus pais são militantes do PT, da luta, da reforma agrária, do sindicato. Nasceram lá (Gurinhatã, oeste de MG) também. Moraram um tempo em Ituiutaba e Belo Horizonte, depois voltaram para lá e eu nasci lá também. (Saí de lá) não tinha nem um aninho de idade. Fui para BH, onde fiquei até os 9 anos. Com 9 anos, viemos para Uberlândia e estamos aqui até hoje.

A gente lutava muito contra a fome, as desigualdades. Meus pais faziam parte da Pastoral da Criança, de redes comunitárias junto à associação de moradores. Ações de solidariedade eram o cotidiano da minha casa: de roupa para doação até cesta básica, mutirão de pegar água no caminhão-pipa. Só tinha uma bica na comunidade e, às vezes, a água da bica não era o suficiente.

Minha mãe trabalhou mais de 20 anos como empregada doméstica, hoje é professora como eu. Meu pai foi seminarista das pastorais de base, daqueles movimentos de fé e política. Na minha infância, eu participava de reuniões de sindicato, reuniões da CEBs (Comunidades Eclesiais de Base). Minha diversão era ficar colorindo durante as reuniões. Cresci em meio a esses movimentos.

Meu pai conseguiu estudar (Filosofia) porque foi para o seminário. Ele tinha uma vontade muito grande de desenvolver esse lado acadêmico e não teve oportunidade quando era criança nem jovem. Estar no seminário possibilitou isso a ele. Minha mãe só voltou a estudar depois de bem mais velha, eu já tinha inclusive nascido. Foi um mutirão de esforços para que ela conseguisse estudar, trabalhar, cuidar da casa, de mim. Meu pai teve um tumor no cérebro enquanto ela estudava e eu também era criança, então ela teve que se dividir entre tudo isso. Ela só conseguiu se formar graças ao Fies na época.

Ela fez Pedagogia na PUC de Belo Horizonte e foi a primeira da família a conseguir se formar e ter acesso a um diploma universitário. Isso mudou a nossa história, a nossa trajetória. Muitas vezes percebia que entrar na universidade era mais um sonho da minha mãe do que meu. Só fui entender a importância da educação quando já estava fazendo Pedagogia. Isso mudou o rumo das nossas vidas. Só sou deputada federal hoje porque passei pela universidade. A universidade me abriu muitas portas, me fez enxergar o mundo, entender as dinâmicas sociais e ter mais vontade ainda de lutar para mudar esse mundo.

Fui mesmo (uma estudante precoce). Sempre fui terrível, muito estudiosa. Na Universidade Federal de Uberlândia tinha um programa de ingresso seriado, o Pism ((Programa de Ingresso Seletivo Misto), que você fazia uma prova no final de cada ano do ensino médio. Além de fazer o Enem, também fiz esse programa seriado e passei em Pedagogia logo que terminei o ensino médio. Entrei na UFU (Universidade Federal de Uberlândia) com 16 anos.

“Tem setores na sociedade que se alimentam das desigualdades: analfabetismo, precarização, violência, pobreza”. Foto: divulgação

BFC: lei das cotas

Dandara: sempre soube que sou negra, esse sempre foi um debate na minha casa. Minha mãe é negra, meu pai é branco. Chamo Dandara (nome de uma líder guerreira do Quilombo dos Palmares) para resgatar a história dos povos negros que contribuíram na luta e resistência contra a escravidão. Fui realmente me entender enquanto uma pessoa negra na universidade e pude viver mais intensamente as diferenças de condições objetivas. Quem tinha condição de ficar na universidade só por conta de estudar, e quem tinha que estudar, trabalhar e cuidar de casa.

Por diversas vezes, tive que escolher entre xerocar o texto da aula ou pagar o RU (Restaurante Universitário) naquele dia. Tive que escolher se ia faltar um dia de serviço para participar de um simpósio importante ou se ia ter um desconto no meu salário. Isso foi aflorando a luta pela assistência estudantil, por uma mudança nas políticas da universidade.

Fui cotista e acho muito importante o movimento de colocar para dentro, mas sabemos que não é só abrir a porta. Temos que garantir que as pessoas possam permanecer e ficar. Por isso, logo me engajei no DA (Diretório Acadêmico), no DCE (Diretório Central dos Estudantes). Travamos uma luta muito grande para ter transporte intercampi (entre os campus), ampliação do restaurante universitário, moradia estudantil. Conquistamos tudo isso ao longo da gestão em que estive na coordenação do DCE da UFU. Percebi que só a luta muda a vida. Por isso, assumi essa disputa institucional: fui a vereadora mais votada de Uberlândia, depois deputada federal.

Na campanha para deputada, uma das nossas bandeiras era ter uma mulher preta no Congresso Nacional. Mas não basta só ser uma mulher negra; precisamos construir a luta antirracista, fazer avançar as pautas de promoção da igualdade racial. No dia que fui eleita, a ex-ministra (da Igualdade Racial) Nilma Lino Gomes me ligou chorando, disse: ‘Parabéns, você foi eleita, agora assume essa relatoria da Lei de Cotas, não deixa acabar e garante melhorias’.

Construímos um amplo movimento de fora para dentro. Reuni com universidades, institutos, pró-reitores, juristas, movimentos estudantis, movimentos negros. Construímos dez pontos para aperfeiçoar a Lei de Cotas. Imaginava que sairíamos dessa negociação com cinco ou seis pontos, mas conseguimos sair com nove. Foi um trabalho que exigiu muito da gente logo no primeiro ano de mandato: dialogar com todos os líderes da casa, com os deputados. Apenas o PL e o Novo votaram contra a renovação e o aperfeiçoamento da nova Lei de Cotas na Câmara. Aprovamos em tempo recorde e o presidente Lula sancionou rapidamente.

As cotas são uma ameaça àqueles que só querem manutenção de privilégio. Tem setores na sociedade que se alimentam das desigualdades: analfabetismo, precarização, violência, pobreza. Quando falamos em construir políticas de promoção da igualdade, alguns setores mesquinhos e gananciosos se sentem ameaçados porque sabem que quanto mais gente lendo, entendendo e interpretando o mundo, mais os privilégios deles serão combatidos.

As cotas são a maior ação afirmativa que o movimento negro construiu. Demorou quase 80 anos para termos essa vitória, porque desde a década de 30, com a Frente Negra Brasileira, Abdias do Nascimento (artista, professor, político e ativista brasileiro dos direitos das populações negras nascido em 1914) já dizia que precisávamos formar uma intelectualidade negra.

“Defendo que o Conselho Nacional de Justiça tenha diretrizes para a atuação jurídica como um todo no enfrentamento e no combate ao racismo”. Foto: divulgação

BFC: pressão popular

Dandara: com certeza. Avançar em marcos legais, não deixar pontas soltas, construir movimentos na sociedade, fazer muita pressão nos espaços de poder, pautar e disputar esses espaços também. Eu gostaria muito que o povo brasileiro soubesse a força que ele tem. É impressionante como o clima no Congresso muda no dia que tem povo na rua. No dia que conseguimos fazer uma manifestação grande, o Centrão fica acuado. Temos que estar em estado permanente de luta.

BFC: violência racial

Dandara: essa violência me marcou profundamente. Eu já era militante, mas, no fundo, a gente nunca imagina que vai chegar até nós e que vai ser tão brutal e violento assim. A gente luta contra isso, mas acredita que o racismo vai ter fim.

Fui em uma festa de formatura de dois grandes amigos meus usando um turbante dourado e um vestido branco. Era um momento de festa, celebração. Eu já usava o turbante como ato de afirmação da minha identidade negra. Quando cheguei na festa de engenharia civil da UFU, já percebi os olhares questionando a minha presença. Negros como eu contava na palma da mão quantos tinham. Preferi fingir que não era comigo. Quase no final da festa – era 2017, logo depois do golpe contra a presidenta Dilma – o motorista do trio elétrico me chamou: “Dandara negona, vem aqui fazer ‘Fora Temer’ no microfone”. Fui lá e, enquanto fazia o vídeo, eles vieram, tentaram tirar meu turbante, jogaram no chão, fizeram uma rodinha em volta e viraram as latinhas de cerveja em mim.

Consegui sair correndo, achar os meus amigos. Eles acionaram a segurança, que expulsou eles (os agressores) da festa. Fui a última pessoa a sair porque fiquei com medo de eles estarem do lado de fora esperando para bater na gente. Fiz um post no Facebook relatando o que aconteceu. Fui à delegacia fazer o boletim de ocorrência, mas não entrou racismo, entrou “agressão física motivada pelo preconceito racial”. Entrei com processo cível e criminal, mas foi arquivado. O promotor disse que o racismo estava na minha alma, que os caras só foram deselegantes e que o que teve foi uma “guerrinha de cerveja”. Pense bem.

Eles tiraram e jogaram no chão o que mais me caracterizava enquanto uma mulher negra. Sofri uma onda de ataques nas redes sociais, pessoas que não acreditavam no meu relato. Fiquei pensando: eu era uma militante, denunciei, foi parar no programa da Fátima Bernardes, teve repercussão nacional e, mesmo assim, foi arquivado. E o racismo cotidiano que acontece com as outras pessoas e não vira notícia? Decidi dali em diante dedicar minha vida a combater o racismo.

“O verdadeiro empoderamento é a tomada de consciência”. Foto: divulgação

BFC: Justiça e preconceito

Dandara: defendo que o Conselho Nacional de Justiça tenha diretrizes para a atuação jurídica como um todo no enfrentamento e no combate ao racismo. Pesquise dados de boletins de ocorrência de crimes de racismo: você não acha. Pesquise quantos processos de injúria racial ou de racismo tivemos no Brasil: é muito solto, disperso. Não temos nem uma sistematização. Isso quer dizer que o racismo no Brasil diminuiu? Não. Há uma sub notificação, uma dificuldade em registrar o boletim de ocorrência, entraves burocráticos, uma minimização da ação de depreciar, agredir, oprimir o outro indivíduo. Precisamos fazer algo para efetivar as leis.

BFC: primeira eleição

Dandara: fizemos uma “campanha movimento”, com muita força coletiva. Fizemos reuniões com diversos movimentos e segmentos que toparam construir um projeto de “virar a mesa do poder”, ocupar os espaços onde ainda não chegamos. Minha primeira eleição (para vereadora de Uberlândia em 2020) foi em meio à pandemia, então precisamos ser muito inventivos e criativos: reuniões online, listas de transmissão, chamadas telefônicas. Montamos um “call center” aqui em casa. Fui a mais votada de Uberlândia, com 800 votos a mais que o segundo colocado, que é um político tradicional. Ser uma mulher negra, jovem, do PT, no Triângulo Mineiro, onde há uma força do agronegócio e do conservadorismo, não é pouca coisa.

BFC: educação emancipadora

Dandara: o verdadeiro empoderamento é a tomada de consciência. A partir do momento que eu entendo como a manivela da sociedade está girando e me empodero, dificilmente eu volto para aquele lugar da submissão e opressão. Esse conhecimento emancipador incomoda esses setores que se valem da opressão. Precisamos cada vez mais disputar os currículos, as ementas, as disciplinas. A sala de aula é muito importante para transformar este país. A extrema-direita sabe disso, por isso ataca nossos professores, nossos currículos, tenta descredibilizar a função social da educação. Quantas gerações lutaram para a gente ter o direito a ter um diploma na mão?

BFC: renovação

Dandara: algumas pessoas se alimentam dos espaços de poder e acostumaram a estar na burocracia como forma de sobrevivência. Quando a gente chega com crítica ao modus operandi, com projetos de renovação política, de método, de organização, isso também incomoda mesmo nos partidos progressistas. Tem gente que acha que o seu micro poder precisa ser mantido e a forma de fazer isso é engessando, burocratizando, encastelando uma direção. E nós não: queremos partidos abertos, democráticos, com participação popular efetiva. Precisamos formar uma geração de influenciadores digitais de esquerda, ciberativistas de esquerda, hackers do campo progressista. Precisamos disputar esse tal algoritmo que todo mundo fala. Isso não é visto com bons olhos por muitos setores que só querem manutenção de poder.

BFC: desafios da esquerda

Dandara: apesar de todos os avanços do governo Lula, das políticas sociais, as eleições de 2024 mostraram que nós precisamos nos conectar com o sonho, com o objetivo de vida das periferias. O PT perdeu as eleições em grande parte das periferias das grandes cidades do Brasil. Nós precisamos disputar a dimensão de utopia. O PT só é o partido que é porque durante muito tempo representamos os sonhos da classe trabalhadora. O sonho de comprar uma casa, um carro, ter um diploma, viajar, comer picanha e tomar cerveja. A extrema-direita está disputando a dimensão de sonho com essa coisa de “coaching”, empreendedorismo, “empresário de si mesmo”, autônomo.

Nossas políticas não estão sendo suficientes para responder a essa dimensão dos sonhos. Acho que foi um passo gigante as novas políticas do governo Lula: o “Pé de Meia”, o programa que desburocratizou a CNH, o “Gás do Povo”. Mas precisamos representar também os valores, o que se pensa sobre o futuro. Falar mais também com a subjetividade, não só com a vida objetiva, concreta, material. Esse é o nosso desafio.

BFC: pós-Lula

Dandara: espero que (a esquerda) esteja (preparada para o pós-Lula). Espero que se organize. Nós não temos tempo para nos perder em disputas mesquinhas ou individuais. Demorou muito tempo para a classe trabalhadora brasileira construir uma liderança da envergadura do presidente Lula. Sei que outro Lula dificilmente nós teremos, mas uma liderança capaz de guiar e orientar esse nosso projeto, de ser o farol na nossa caminhada, nós precisamos. E precisamos também avançar e apostar no processo de renovação política. Sucesso para mim é a gente ter a capacidade de olhar para o lado em uma reunião de lideranças e perceber que eu não sou a única. A esquerda brasileira precisa ser generosa, grande, precisa ampliar. Temos que disputar imaginário, narrativa, opinião.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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