O fim da janela partidária, encerrada na última semana, provocou uma reconfiguração relevante no perfil das bancadas da Câmara dos Deputados, especialmente em dois dos principais partidos do país: o PSD e o União Brasil. As mudanças ocorreram após um período intenso de migração de parlamentares, autorizado pela legislação eleitoral.
No caso do PSD, presidido por Gilberto Kassab, o saldo foi positivo. A sigla ganhou dois deputados e passou a contar com 49 cadeiras na Câmara. Além do aumento no número de deputados, a legenda passou por uma alteração em sua composição interna: a bancada ganhou maior peso do Nordeste, que passou a concentrar aproximadamente 40% dos parlamentares do partido.
Segundo analistas, esse deslocamento regional tende a aproximar o partido do governo do Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém forte popularidade nesses estados. Entre os novos integrantes está Túlio Gadêlha (PE), identificado com pautas alinhadas ao campo governista.
A reorganização interna também deve impactar o cenário eleitoral. Embora o PSD tenha o governador Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, parte significativa da bancada nordestina deve apoiar Lula já no primeiro turno, o que pode reduzir a coesão partidária na disputa nacional.
Ao mesmo tempo, a saída de parlamentares mais alinhados à direita, muitos deles migrando para o PL, tende a facilitar o apoio da sigla a propostas do Executivo no Congresso.
Já o União Brasil registrou uma redução no número de deputados. A legenda perdeu oito cadeiras e passou a ter 51 representantes, após uma movimentação intensa que incluiu a saída de 29 parlamentares e a chegada de 21. Parte dos que deixaram o partido seguiu para o PL, enquanto outros migraram para diferentes siglas, incluindo ex-integrantes do governo Lula.
Apesar da perda numérica, a avaliação interna é que o partido se tornou mais homogêneo, com menos disputas entre alas ideológicas. A expectativa é de maior coesão nas votações e negociações no Legislativo. Ao todo, pelo menos 121 deputados trocaram de partido durante a janela, indicando uma das maiores reconfigurações recentes no Congresso Nacional.
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