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Julgamento expõe racha nas estratégias de defesas

(Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal retomou nesta quarta-feira (3) o julgamento que coloca Jair Bolsonaro e aliados no centro da acusação de tentativa de golpe de Estado. A sessão foi dedicada às sustentações orais das defesas, num rito marcado pela exposição das estratégias de cada réu diante das imputações da Procuradoria-Geral da República.

Mais do que um bloco coeso de contestação, o que se viu foi um mosaico de narrativas em disputa. Enquanto uns negaram a existência de qualquer plano de ruptura, outros admitiram que houve intenção golpista, mas insistiram que seus clientes atuaram para impedir ou se afastar da trama. O resultado foi uma audiência marcada por divergências de argumentos, contradições sobre a validade da delação de Mauro Cid e acusações de cerceamento processual, revelando mais choques entre advogados do que convergência em torno de uma estratégia comum.

A principal contradição do dia emergiu entre a linha das defesas de Jair Bolsonaro, Walter Braga Netto e Augusto Heleno — que negaram de forma categórica a existência de qualquer plano de ruptura institucional — e a narrativa do general Paulo Sérgio Nogueira. Seu advogado afirmou que o ex-ministro da Defesa não apenas se afastou de qualquer articulação golpista, mas atuou para demover Bolsonaro de medidas de exceção. Essa divergência quebrou a fachada de unidade entre os réus militares, revelando estratégias de sobrevivência distintas diante das provas acumuladas.

A divisão ficou ainda mais nítida quando comparada às sustentações da véspera, em que algumas defesas admitiram a existência de um ambiente de conspiração no entorno do Planalto, mas alegaram que seus clientes se mantiveram à margem. De um lado, Bolsonaro e seus generais mais próximos insistem na negação absoluta; de outro, a defesa de Nogueira aposta em reconhecer o risco de ruptura para projetar o cliente como barreira institucional.

No pano de fundo dessas divergências, a delação de Mauro Cid segue como ponto de atrito: para uns, ilegal e marcada por contradições; para outros, um indício de que havia um plano em gestação. O saldo da sessão, porém, foi menos sobre as falas do delator e mais sobre a fragmentação da narrativa defensiva, que deixa claro que cada réu tenta agora salvar a própria pele.

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Luiz Estrela

Jornalista e criador de conteúdo no BFC, projeto em que se dedica à cobertura política nacional e internacional, além de cultura e direitos sociais, sempre com olhar crítico e linguagem acessível.

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