Na segunda metade dos anos 90 do século passado, Marcelo Costa trabalhava como servidor público na biblioteca do curso de Direito da Universidade de Taubaté (SP), quando resolveu, junto com um amigo, fazer um “fanzine” – publicação independente, artesanal e de baixo custo, criada por fãs sobre temas específicos como música, arte, poesia ou política. Na época ele nem sonhava em ser jornalista, mas já era apaixonado por sons alternativos, literatura e cinema.
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Já no início dos anos 00, ao mudar para São Paulo (SP) e iniciar os primeiros passos na carreira da comunicação, o que era uma brincadeira impressa em papel virou um site na até então emergente rede mundial de computadores. Vinte cinco anos depois, o Scream Yell – um dos mais importantes veículos de jornalismo independente sobre cultura pop do Brasil – volta ao suporte original. E desta vez para comemorar um quarto de século de bons serviços prestados a essa causa tão anacrônica quanto apaixonante.

“Eu Nem Queria Dar Entrevista: O Melhor do Scream & Yell – Vol.1” – que está saindo pela editora curitibana Barbante, é o retrato de como essa paixão pode mobilizar pessoas dos mais diversas origens, lugares e pensamentos, unidos pela vontade de divulgar arte em um mundo onde o diálogo e a fruição parcimoniosa do tempo parece cada vez mais difícil.
O livro foca em entrevistas longas, com o mínimo de edição possível, o que Marcelo considera o grande diferencial do site por permitir conversas profundas e sem os cortes comuns (e broxantes) da grande imprensa.
Marcelo descreve que, entre 2004 e 2008, sua relação com o site foi “tóxica” devido à pressão por atualizações constantes. A partir de 2008, ele passou a ver o site como a base de sua identidade profissional, o que abriu portas para escrever em veículos como Rolling Stone e Billboard.
A seleção para o “Volume 1” incluiu 16 entrevistas de nomes como a escritora brasileira Fernanda Young; o produtor de Nirvana e Pixies, Steve Albini; a banda cult canadense Cowboy Junkies; Guilherme Arantes; Russo Passapusso e Antonio Carlos & Jocafi, escolhidas pelo próprio editor do site a partir de uma lista inicial de 110 textos.
O Scream Yell segue formando gerações e mantendo um público fiel e de nicho, mas alcança picos de audiência como 200 mil visualizações em uma resenha do Coldplay quando o conteúdo é impulsionado por ferramentas ou parcerias com grandes portais.
Marcelo optou por manter o site de forma independente e colaborativa. Ele afirma que a entrada de grandes investimentos poderia ter descaracterizado o projeto ou levado ao seu fim após o término de contratos temporários.
Além de Curitiba, onde o lançamento acontece neste sábado (28), na Itiban Comic Shop, a “tour” do livro prevê passagens por Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte, promovendo debates sobre jornalismo cultural.
No encontro na capital paranaense, além de Marcelo, participam do bate-papo alguns dos autores-condutores das entrevistas, como Leonardo Vinhas (que entrevistou o argentino Fito Paez); Adriane Perin (Cowboy Junkies); e Bruno Capelas (Pato Fu).
O evento começa às 16h, com mediação de Cristiano Castilho (@criscastilhox).
Serviço:
Lançamento do livro
“Eu Nem Queria Dar Entrevista: O Melhor do Scream & Yell – Vol.1”
Sábado (28/03) – 16 horas
Editora Barbante
https://editorabarbante.com.br/
Itiban Comic Shop
Avenida Silva Jardim, 845
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