A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro corre para finalizar, até o fim de semana, uma proposta de delação premiada que pretende apresentar à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República na próxima semana.
O plano inclui dezenas de anexos, oferta de pagamento de multas bilionárias e a expectativa de obtenção de benefícios legais em troca da colaboração. As informações são da coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.
A estratégia dos advogados é discutir o acordo em reunião conjunta com investigadores, com a expectativa de uma tramitação rápida. Nos bastidores, no entanto, a avaliação de integrantes das investigações é mais cautelosa.
Há dúvidas sobre o nível de detalhamento inicial das informações que serão entregues, além da previsão de disputas sobre valores de ressarcimento e as contrapartidas exigidas pela defesa.
Desde a transferência de Vorcaro, em 19 de março, para a sede da Polícia Federal em Brasília, sua equipe jurídica intensificou os trabalhos, revisando dados extraídos de celulares apreendidos, reunindo documentos e organizando os relatos que devem embasar a colaboração.
Para dar conta do volume de material, foi montada uma força-tarefa com cerca de dez advogados, divididos entre dois escritórios. Um dos principais entraves para o avanço do acordo deve ser a dimensão do patrimônio a ser devolvido.
Investigadores esperam que o ex-banqueiro indique onde estão os recursos, dispersos em uma rede de fundos no Brasil e no exterior, muitos ainda fora do alcance das autoridades.
Estimativas apontam que mais de R$ 10 bilhões ainda estariam espalhados em estruturas financeiras complexas. A pressa em fechar o acordo também estaria ligada ao risco de perda desses valores, diante da dificuldade de rastreamento e da possibilidade de movimentações por terceiros. A ideia da defesa é garantir o bloqueio dos ativos assim que forem revelados, viabilizando seu uso como parte do acordo.
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