Skip to content Skip to footer

Moro apresenta emenda para tentar ressuscitar “PEC da Bandidagem” no Senado

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa ordinária. Ordem do dia. Na pauta, o PL 942/2024 que aumenta a pena para quem fornece droga ou bebida alcoólica para crianças ou adolescentes. Moro (União-PR): ex-juiz alega que parlamentares estariam sendo processados por opiniões. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Mesmo após as manifestações do último domingo (21), o senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR) insiste na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que exige aval do Congresso para a abertura de processos contra parlamentares, conhecida como “PEC da Bandidagem”. Apesar da rejeição da população e dos próprios senadores, o paranaense apresentou emenda ao texto da proposta para tentar evitar que ela seja “enterrada” pela Casa.

Pela emenda, de Moro, deputados e senadores só poderiam ser processados por crimes contra a honra, palavras e votos com a autorização prévia da Câmara ou do Senado. A iniciativa do paranaense, na prática, é inócua e desnecessária, pois o artigo 53 da Constituição Federal de 1988 já estabelece que “deputados e senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos”.

Moro e Guedes, então ministros de Bolsonaro, sabiam das fraudes no INSS

Com apoio de Moro, Senado aprova projeto que enfraquece lei da Ficha Limpa

No Paraná, União Brasil “escanteia” Moro e deve ir com candidato de Ratinho em 2026

Com emenda, Congresso poderia suspender ações contra deputados e senadores

Além disso, de acordo com o que defende o ex-juiz da Lava Jato, o Congresso manteria o poder de suspender ações contra parlamentares em caso de outros crimes, o que incluiria aí corrupção e crimes comuns.

Nas redes sociais, o senador alegou que a proposta seria uma forma de proteger o parlamentar apenas contra a criminalização indevida de “sua opinião, palavras e votos”. “Hoje, dezenas de parlamentares estão sendo processados, em violação à Constituição, por falas ou postagens”, sustenta ele.

Relator diz que emenda é discurso para proteger parlamentar que cometeu crimes

Questionado sobre a emenda que já havia sido cogitada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), o relator da PEC da Bandidagem na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), desmontou o discurso de Moro, avisando que vai apresentar, na quarta-feira (23), parecer pela rejeição completa da PEC.

“Não existe crime de opinião na legislação brasileira”, lembrou. “São discursos e narrativas para tentar esconder o que está muito claro e muito óbvio. É uma PEC que foi desenhada para proteger parlamentar que está sendo investigado porque roubou dinheiro público ou cometeu outros crimes mais graves”, disse o parlamentar.

Bookmark

Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

Mais Matérias

25 mar 2026

Para preservar a democracia é preciso radicalizá-la, defende Rui Falcão

Deputado que foi preso e torturado após o golpe de 64 e acompanhou processo de impeachment de Dilma diz que a esquerda não pode abrir mão de suas convicções
30 mar 2026

Medida do governo promete baratear medicamentos para doenças crônicas

Decisão atinge remédios para doenças crônicas e mais de 970 itens
30 mar 2026

Eduardo “tarifaço” Bolsonaro pode ser ministro das Relações Exteriores de governo Flávio, admite Waldemar

Em evento com empresários, presidente o PL disse que deputado cassado só volta ao Brasil se o irmão for eleito presidente
30 mar 2026

Em 2025, deputados gastaram quase R$ 1 bi só com “cotão” e assessores

Em números totais, foram R$ 777,7 milhões com a verba de gabinete, e R$ 214 milhões com a cota parlamentar
30 mar 2026

Crime contra a humanidade: EUA planejaram ataque a escola que matou meninas, diz Irã

Governo Trump alegou que o bombardeio teria sido fruto de “dados de mira desatualizados”
30 mar 2026

Direitos humanos: EUA, Israel e Argentina votam contra reconhecer escravidão como maior crime da história da humanidade

Resolução reconhece que as consequências da escravidão persistem até hoje através do racismo sistêmico

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário