Uma representação protocolada no Ministério Público Federal coloca sob suspeita a atuação do deputado federal Adilson Barroso (PL-SP) e de sua filha, a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP), nas eleições de 2022. A denúncia, apresentada pela deputada Monica Seixas (PSOL-SP), sustenta que ambos teriam manipulado o sistema de autodeclaração racial para acessar recursos públicos destinados a candidaturas negras.
De acordo com a peça, pai e filha alteraram suas declarações raciais junto à Justiça Eleitoral naquele pleito, passando a se identificar como pardos após, em eleições anteriores, terem se registrado como brancos. A mudança teria possibilitado o enquadramento nas regras de distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que reserva percentuais mínimos para candidatos negros.
O caso ganha repercussão adicional por envolver Fabiana Bolsonaro, que recentemente foi alvo de críticas após um episódio de cunho racista na Assembleia Legislativa de São Paulo. A parlamentar utilizou pintura facial escura em uma manifestação que gerou forte reação dentro e fora do Legislativo paulista.
No documento enviado ao MPF, Monica Seixas argumenta que a suposta prática não se restringe a uma decisão individual, mas indicaria uma estratégia articulada para ampliar o acesso a recursos eleitorais. A representação pede a investigação por fraude eleitoral, além da responsabilização por declarações falsas à Justiça Eleitoral.
Entre as medidas solicitadas estão a anulação dos votos obtidos pela chapa do PL em São Paulo nas eleições de 2022, a cassação de diplomas e mandatos eventualmente beneficiados e a devolução integral dos valores recebidos por meio das cotas raciais do fundo eleitoral. Também foi requerida a abertura de investigação criminal sobre o episódio envolvendo a prática de blackface.
Adilson Barroso assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados no fim de 2025, após a saída de Carla Zambelli. O caso agora aguarda análise das autoridades competentes.
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