Uma investigação baseada em documentos da Polícia Federal, cruzamento de dados e relatos de executivos revelou que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro estruturou, ao longo dos anos em que esteve à frente do Banco Master, um modelo de eventos voltado a autoridades públicas que incluía a presença frequente de mulheres, muitas delas estrangeiras.
Os encontros, realizados no Brasil e no exterior, teriam sido organizados com logística própria, equipe dedicada e alto investimento financeiro, segundo apuração divulgada pela Folha de S. Paulo.
Os eventos ocorriam, em geral, durante a semana e eram planejados para coincidir com agendas oficiais, facilitando a presença de políticos e agentes públicos. Relatos indicam que o objetivo era criar ambientes de relacionamento e influência. Em mensagens recuperadas em investigações, o próprio Vorcaro teria associado essas festas à estratégia de negócios.
A apuração identificou ao menos 20 mulheres que participaram dos encontros, parte delas com perfis ativos em redes sociais. Algumas brasileiras teriam sido atraídas por promessas de apoio financeiro e oportunidades profissionais.
Já estrangeiras vieram ao país com passagens de alto padrão, hospedagem em hotéis de luxo e deslocamentos feitos, em alguns casos, por aeronaves ligadas ao empresário.
A organização dos eventos envolvia intermediários. O produtor Diogo Batista atuava na seleção e gestão das convidadas até 2024, quando houve rompimento com Vorcaro. Depois disso, parte da operação teria sido assumida pela influenciadora Karolina Trainotti, ligada a uma empresa investigada pela PF.
Entre os episódios mapeados está uma festa em Trancoso, na Bahia, em 2022, marcada por excessos e danos materiais, além de eventos de alto custo durante a semana do GP de Fórmula 1 de 2023, com orçamento milionário e estrutura de luxo para convidados.
Embora não haja confirmação oficial sobre a participação de autoridades nem sobre a ocorrência de práticas ilegais nos eventos, especialistas entrevistados pela Folha apontam que a oferta de vantagens, inclusive não financeiras, pode se enquadrar como corrupção, dependendo do contexto. A defesa de Vorcaro não comentou o caso.
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