A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (6) uma nova ofensiva para investigar a destinação de recursos da Amazonprev, entidade responsável pela previdência dos servidores civis do Amazonas. A suspeita é de que aproximadamente R$ 390 milhões tenham sido aplicados de forma irregular em produtos financeiros oferecidos por bancos privados. A ação foi batizada de Operação Sine Consensu e ocorre com apoio do Ministério da Previdência Social.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de busca e apreensão. Entre os alvos estão três ex-dirigentes da fundação previdenciária. Alguns servidores também foram afastados temporariamente de suas funções enquanto as investigações avançam.
De acordo com a apuração inicial, o dinheiro do fundo teria sido direcionado para Letras Financeiras emitidas por instituições privadas, entre elas Banco Master, C6 Bank, BTG Pactual e Daycoval. As autoridades destacam que os bancos não são investigados neste momento. O foco da operação está nas decisões administrativas e nos procedimentos adotados na gestão dos investimentos.
A Polícia Federal aponta indícios de que as aplicações podem ter ocorrido em desacordo com normas federais que regulam a gestão de recursos de regimes próprios de previdência. Também foram identificados possíveis problemas em processos internos da entidade e movimentações financeiras consideradas fora do padrão esperado para esse tipo de fundo.
O caso surge em meio a outra investigação recente envolvendo fundos previdenciários estaduais e aplicações em títulos emitidos pelo Banco Master. No mês passado, a PF realizou uma operação para apurar aportes de cerca de R$ 400 milhões feitos pela Amapá Previdência (Amprev).
Nesse episódio, investigadores identificaram que decisões de investimento foram tomadas mesmo após alertas técnicos e questionamentos internos sobre riscos. As aplicações teriam sido aprovadas em sequência e em um curto intervalo de tempo.
As investigações também indicaram que membros do comitê responsável ignoraram sinais de alerta levantados por outros conselheiros, incluindo preocupações sobre concentração excessiva de recursos e questionamentos já existentes em órgãos de controle.
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