A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira, a Operação Vassalos, que tem como alvos o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho.
A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e mobiliza o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em cinco estados e no Distrito Federal.
No centro das apurações está o envio de R$ 22 milhões em emendas parlamentares destinadas à cidade de Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Os recursos, indicados em 2021 por Fernando Bezerra, foram utilizados na primeira etapa da Orla 3, projeto de requalificação urbana às margens do Rio São Francisco. À época, o município era administrado por Miguel Coelho, filho do ex-senador.
O convênio que viabilizou a transferência foi firmado entre a prefeitura e a Codevasf, cujo comando regional estava sob responsabilidade de um ex-assessor parlamentar de Bezerra. A investigação aponta suspeitas de direcionamento de contratos e possível uso indevido de verbas públicas, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados oficialmente.
Parte da obra atravessa área pertencente a uma empresa ligada a um irmão do ex-senador. Um trecho do terreno foi desapropriado, com indenização ainda em negociação, segundo a prefeitura. Após a entrega da revitalização, o entorno da Orla 3 registrou valorização imobiliária.
Um dos empreendimentos lançados nas proximidades tem participação societária de empresa ligada a Miguel Coelho, que afirma atuar no setor imobiliário apenas após deixar o cargo e nega envolvimento direto com projetos na área específica da Orla 3.
Dados de repasses federais mostram que Petrolina liderou o volume de emendas recebidas em Pernambuco entre 2020 e 2025, superando cidades maiores. O caso reacende o debate sobre a destinação de emendas parlamentares, cujo volume saltou de R$ 16 bilhões em 2015 para R$ 51 bilhões previstos no Orçamento deste ano.
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