O eixo central da entrada do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, na disputa pelo Palácio do Planalto, foi a promessa de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Oficializado na segunda-feira (30) como pré-candidato do PSD, Caiado colocou o tema como prioridade imediata caso vença as eleições de 2026.
O anúncio foi feito em São Paulo, em ato conduzido pelo presidente da legenda, Gilberto Kassab, e marca uma guinada estratégica do partido, que busca se posicionar no campo da direita com um discurso direto ao eleitorado bolsonarista. A defesa de anistia surge como sinal claro de alinhamento político, mesmo após o distanciamento entre Caiado e Bolsonaro durante a pandemia.
Nos bastidores, a movimentação é interpretada como tentativa de atrair o apoio do ex-presidente e de consolidar uma base eleitoral competitiva. Bolsonaro cumpre atualmente regime domiciliar após condenação por tentativa de ruptura institucional, e sua situação jurídica deve continuar influenciando o debate político até o pleito.
A escolha de Caiado também reorganiza o cenário interno do PSD. O governador do Paraná, Ratinho Junior, abriu mão da disputa, enquanto o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, reagiu com críticas, apontando risco de aprofundamento da polarização.
Com trajetória consolidada na política, Caiado tenta se apresentar como alternativa ao atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Flávio Bolsonaro, que desponta como herdeiro político do bolsonarismo.
O calendário eleitoral estabelece que as convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026, com prazo final para registro das candidaturas até 15 de agosto. Até lá, a proposta de anistia deve permanecer como um dos pontos mais sensíveis, e decisivos, da pré-campanha.
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