O avanço das apurações sobre fraudes em descontos aplicados a aposentados colocou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no centro de uma crise política que preocupa o Palácio do Planalto. A ofensiva ocorre tanto na esfera judicial quanto no Congresso e tem potencial de gerar desgaste em meio ao cenário pré-eleitoral.
A pedido da Polícia Federal, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático do empresário. A solicitação havia sido encaminhada há cerca de um mês, mas só se tornou pública agora.
Paralelamente, a CPI do INSS aprovou medida semelhante em uma sessão marcada por embates e questionamentos de governistas, que tentam anular a decisão.
O nome de Lulinha aparece em citações dentro da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de cobranças irregulares sobre benefícios previdenciários. Entre os investigados está o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como figura-chave no caso. Menções ao filho do presidente já vinham sendo analisadas desde o fim do ano passado.
Nos bastidores, Lula tem afirmado a interlocutores que as investigações devem seguir sem interferência e que eventuais responsabilidades precisam ser apuradas. O presidente chegou a chamar o filho para uma conversa reservada em Brasília no fim de 2025, quando cobrou esclarecimentos. Lulinha teria assegurado que não cometeu irregularidades.
A oposição vê no episódio uma oportunidade de pressionar o governo. Aliados do presidente avaliam que a exposição do caso pode ser explorada politicamente e cobram maior articulação no Senado para conter iniciativas consideradas excessivas. O tema também ampliou tensões internas, com críticas à condução das votações nas comissões e à estratégia adotada para enfrentar a crise no Congresso.
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