O relatório mais recente da Polícia Federal amplia a pressão sobre o deputado estadual Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), ao apontar indícios de que a distribuição de cargos públicos teria sido usada como instrumento de articulação política dentro da Casa.
O documento, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), descreve uma planilha apreendida no gabinete do parlamentar com pedidos de colegas por espaços na estrutura do governo estadual.
Batizado de “Pedidos em 12-04-23”, o arquivo detalha, segundo os investigadores, quais deputados já controlavam setores da máquina pública e quais novas posições pretendiam ocupar. A PF sustenta que a ocupação de postos estratégicos estaria associada à fidelidade ao grupo político liderado por Bacellar.
De acordo com o levantamento, 87,88% dos parlamentares citados na planilha votaram, em dezembro de 2025, pela revogação da prisão do deputado.
Entre os pleitos listados estariam indicações para unidades do Detran, Faetec, Fundação Leão XIII e até estruturas como o Poupa Tempo.
A investigação também menciona a apreensão de um caderno com anotações atribuídas a Bacellar, interpretadas como esboço de uma futura reorganização administrativa, envolvendo áreas sensíveis como Polícia Civil, Polícia Militar, Administração Penitenciária e Saúde.
Bacellar foi indiciado sob suspeita de vazamento de informações sigilosas relacionadas à Operação Zargunq, que apura a ligação do ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias, com o Comando Vermelho. Mensagens trocadas entre os dois embasam a suspeita de que detalhes da investigação teriam sido antecipados.
Além deles, outras três pessoas foram indiciadas. A defesa de Bacellar afirma que não há provas de irregularidade e classifica o indiciamento como injustificado. O caso segue sob análise do STF.
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