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Na CPMI do INSS, Sóstenes tenta “lacrar” e é “jantado”

Deputado do PT lembrou que Bolsonaro liberou crédito consignado para quem recebe BPC e auxílio às vésperas da eleição de 2022
Sóstenes (PL-RJ): deputado Pimenta "calou" bolsonarista. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O líder do PL na Câmara Federal, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), tentou “lacrar” na sessão de quinta-feira (27) da CPMI do INSS, culpando o governo Lula pelas fraudes nos empréstimos consignados dos aposentados, mas acabou “jantado” pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que expôs as digitais da gestão Bolsonaro no escândalo.

“Tô sabendo que tem bancos que está emprestando para esses coitados, desses aposentados e pensionistas, a taxa de juro de 18 a 23% ao mês”, disse o parlamentar bolsonarista, defendendo que aposentados que recebem até dois salários mínimos sejam proibidos de acessar esse tipo de crédito.

Pimenta no olho

Pimenta não deixou por menos. Ele lembrou que antes do governo Bolsonaro, a lei previa que o aposentado só poderia comprometer no máximo 30% dos seus vencimentos com o pagamento do empréstimo consignado, o que evitava que ele acabasse ficando sem renda.

“Era 30% a margem. Quem aumentou pra 40% foi o governo Bolsonaro. Está aqui MP assinada por quem? Onyx Lorenzoni, João Roma e Paulo Guedes, que assinam a nota técnica que deu origem à MP”, apontou.

Eleição

O petista destacou ainda que, às vésperas da eleição de 2022, Bolsonaro autorizou que pessoas que recebiam o Benefício da Prestação Continuada (BPC) e o auxílio emergencial também pudessem contratar empréstimos consignados, o que até então era proibido.

“Às vésperas da eleição, não satisfeitos com a roubalheira, abriram a possibilidade de fazer consignado para BPC e para auxílio emergencial. Que abriu a possibilidade dos bancos roubarem aposentados, pensionistas e as crianças, crianças foram roubadas, graças ao governo Bolsonaro”, contou.

De acordo com Pimenta, 84% dos benefícios foram concedidos no período do segundo turno da eleição, em 11 de outubro de 2022.

Ação entre amigos

Entre as entidades autorizadas a fazerem os descontos, explicou o petista, estava uma empresa ligada ao governador bolsonarista de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). “Doze instituições foram autorizadas a fazer o consignado do auxílio emergencial e do BPC. Uma delas, a Instituição Zema. Foi um jogo de amigos”, entregou o deputado, calando o estridente líder do PL.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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