Banco Master: oito fundos de previdência entram no vermelho
Um diagnóstico recente das contas previdenciárias públicas revela que oito regimes próprios de estados e municípios enfrentam desequilíbrio financeiro após terem direcionado recursos ao Banco Master, instituição que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central no fim de 2025.
Os números constam nos relatórios atuariais mais atualizados do Ministério da Previdência Social e acendem um alerta sobre a gestão de recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.
O levantamento analisou 18 fundos que, juntos, aplicaram cerca de R$ 1,86 bilhão em letras financeiras emitidas pelo banco. Ao cruzar esses aportes com os Demonstrativos de Avaliação Atuarial de 2025, foi possível identificar que parte significativa dos institutos já opera no vermelho.
Entre eles estão o IPREM de Santa Rita do Oeste (SP) e o PreviPaulista, com déficits de menor escala, além de fundos com rombos expressivos, como o Maceió Previdência, o Instituto de Previdência de Campo Grande e o Araprev, de Araras.
Também aparecem na lista o Rioprevidência, que registra desequilíbrios bilionários nos regimes de servidores civis e militares, o Amazonprev, com déficit superior a R$ 750 milhões, e a Amprev, do Amapá, cujo resultado negativo se concentra nas contribuições de servidores militares.
Os dados mostram que o impacto não se restringe a pequenos municípios e atinge estruturas previdenciárias de grande porte.
Especialistas do setor apontam que a gravidade do caso está no fato de os recursos aplicados não contarem com proteção do Fundo Garantidor de Crédito. Com a liquidação do banco, esses valores passaram a disputar espaço na fila de credores, o que amplia o risco de perdas definitivas.
O cenário também levanta questionamentos sobre critérios de governança e avaliação de risco adotados à época das aplicações.
Procurados, os fundos informaram que adotam estratégias distintas para lidar com o problema. Há institutos que atribuem as decisões a administrações anteriores, outros afirmam que os investimentos seguiram regras vigentes naquele momento.
Parte deles já recorreu ao Judiciário para tentar preservar valores ligados a operações de crédito consignado e reduzir possíveis prejuízos. Enquanto isso, aposentados e servidores acompanham com apreensão os desdobramentos do caso, que ainda pode ter novos capítulos.
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