O conselho de administração do BRB aprovou, por unanimidade, a compra de 58% do capital do Banco Master mesmo após um alerta formal da área jurídica do próprio banco estatal sobre a situação de liquidez do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.
O parecer, segundo o jornal Folha de S. Paulo, foi emitido em 24 de março de 2025, poucos dias antes da deliberação final, e recomendava cautela especial com indicadores financeiros considerados essenciais para a estabilidade de qualquer instituição.
As tratativas entre as duas instituições vinham desde o início de janeiro daquele ano, quando o Master procurou o BRB para discutir possíveis negócios conjuntos. Pouco depois, o banco público criou um grupo de trabalho para analisar parcerias que poderiam culminar em participação acionária.
Embora o jurídico não tenha identificado ilegalidades formais, condicionou o avanço do negócio à observância rigorosa de parâmetros como liquidez e capitalização.
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Mesmo com a ressalva, a operação foi anunciada ao mercado com discurso de fortalecimento financeiro do novo conglomerado. A conclusão, no entanto, dependia de diligências, reorganização interna do Master e do aval das autoridades. Esse aval nunca veio.
Em setembro de 2025, o Banco Central vetou a transação, citando riscos relevantes, entre eles a possibilidade de o BRB herdar passivos desconhecidos sem patrimônio suficiente para absorvê-los.
Dois meses depois, o BC determinou a liquidação do Master. À época, o banco tinha apenas R$ 4 milhões em caixa e mantinha depósitos irrisórios junto ao regulador, muito abaixo do mínimo exigido. Paralelamente, a Polícia Federal passou a investigar o repasse de R$ 12,2 bilhões em operações de crédito suspeitas do Master para o BRB.
Em depoimento, o então presidente do BRB afirmou que a tentativa de aquisição se baseou em análises técnicas internas, apesar de admitir que o controlador do Master demonstrava preocupação com a liquidez. Questionado sobre processos na CVM envolvendo o banco privado e seus sócios, disse ter tomado conhecimento apenas durante as investigações. Procurado para comentar o alerta jurídico, o BRB não se manifestou.
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