O número de mortes provocadas por ações policiais voltou a crescer no Brasil em 2025 e avançou em 17 estados, alcançando administrações estaduais comandadas por partidos de diferentes campos políticos. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, divulgados pela Folha de S. Paulo, indicam que 6.519 pessoas morreram em ocorrências com agentes de segurança no ano passado, um aumento de 4,5% em relação a 2024. Na prática, o país registrou uma média de 18 mortes por dia decorrentes de intervenções policiais.
As maiores altas se concentraram nas regiões Norte e Nordeste. Rondônia apresentou o crescimento mais acentuado, com salto de 8 para 47 mortes em um ano, uma variação de quase cinco vezes. Maranhão e Rio Grande do Norte também figuram entre os estados com maior avanço proporcional, com registros praticamente dobrados ou ampliados de forma significativa em relação ao ano anterior.
Em números absolutos, a Bahia segue liderando o ranking nacional, com 1.569 mortes em 2025. São Paulo aparece em seguida, com 835 casos, e o Rio de Janeiro, com 798. Os dados são informados mensalmente pelos próprios estados ao Ministério da Justiça.
A análise por filiação partidária mostra que o aumento da letalidade não está restrito a um espectro ideológico específico. Governos ligados ao PT, PL, PSD, Republicanos, União Brasil, MDB, PSB e Novo aparecem entre os estados que registraram crescimento nos índices.
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Especialistas apontam que o avanço da letalidade policial está ligado, sobretudo, à falta de prioridade política para o controle do uso da força. Além de investimentos em formação e protocolos técnicos, a postura dos governadores e das secretarias de segurança é vista como decisiva para estabelecer limites claros às ações policiais.
A ausência de fiscalização rigorosa e de responsabilização interna também é citada como um fator que contribui para a manutenção de práticas violentas.
Apesar do cenário geral de alta, nove estados apresentaram queda nas mortes por intervenção policial em 2025, e o Distrito Federal manteve estabilidade. Tocantins, Rio Grande do Sul e Roraima lideram as reduções proporcionais.
O Ministério da Justiça avalia que o aumento pode refletir mudanças na dinâmica da criminalidade e afirma atuar em diferentes frentes, como a ampliação do uso de câmeras corporais e a adoção de diretrizes nacionais sobre o uso da força. Para especialistas, a tecnologia pode ajudar a reduzir abusos, desde que venha acompanhada de supervisão efetiva e revisão constante de protocolos.
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