Um núcleo do PT responsável pela estratégia eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha para ampliar a coalizão governista nas eleições de outubro e avalia uma ofensiva direta para atrair o MDB à chapa presidencial. A principal moeda de troca colocada à mesa seria a vaga de vice, hoje ocupada por Geraldo Alckmin, o que abriria caminho para que o atual vice disputasse um cargo majoritário em São Paulo.
Apesar de o MDB já integrar o governo com três ministérios, a cúpula do partido segue dividida sobre um alinhamento formal ao projeto de reeleição de Lula. Caso as conversas avancem, nomes como Renan Filho e o governador do Pará, Helder Barbalho, são citados internamente como alternativas para compor a chapa, embora ambos tenham planos eleitorais próprios em seus estados.
A fragmentação regional sempre marcou a trajetória do MDB e é vista como um obstáculo central para qualquer acordo nacional. No PT, a avaliação é de que dificilmente haveria apoio integral da legenda, o que leva os articuladores a buscarem uma aliança focada no plano nacional, garantindo tempo de propaganda para Lula, mas com autonomia para os diretórios estaduais.
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Com a decisão do PSD de lançar candidatura própria à Presidência, o MDB passou a ser tratado por petistas como a única sigla de centro com potencial para integrar formalmente a chapa. A resistência mais visível vem de São Paulo, onde o prefeito Ricardo Nunes se mantém distante do Planalto e sinaliza dificuldade de aprovação interna a um apoio ao petista.
Aliados do presidente no MDB atribuem parte desse desgaste à atuação direta de Lula na eleição paulistana de 2024 e à movimentação para reposicionar Simone Tebet no cenário eleitoral do estado. Mesmo assim, líderes históricos da legenda defendem o diálogo e cobram maior agilidade do PT nas tratativas.
Sem consenso, cresce a possibilidade de que o MDB leve a decisão final à convenção partidária, onde as duas alas afirmam ter força suficiente para definir o rumo da sigla na disputa presidencial.
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