A Justiça de São Paulo nomeou Suzane von Richthofen como inventariante dos bens deixados pelo médico Miguel Abdalla Neto, encontrado morto em sua residência no bairro Campo Belo, na zona sul da capital, no início de janeiro. A herança está estimada em cerca de R$ 5 milhões e a decisão ocorre no contexto de uma disputa judicial envolvendo familiares e pessoas próximas ao médico.
Além de Suzane, a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani, prima de Miguel, tentou assumir a função. Ela sustenta ter mantido uma união estável com o médico por aproximadamente 14 anos, argumento que, até o momento, não foi reconhecido no processo.
Segundo a decisão, Carmem é considerada parente colateral de quarto grau e, portanto, não tem prioridade sucessória diante dos sobrinhos, classificados como parentes de terceiro grau conforme o Código Civil.
O outro herdeiro direto é Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, que não se habilitou no processo até agora. Com isso, a Justiça entendeu que Suzane é a única pessoa formalmente apta a exercer a função de inventariante. A decisão ressalta que o histórico criminal da herdeira não interfere na análise do caso, por se tratar de um procedimento patrimonial, e não penal.
A nomeação autoriza Suzane a zelar pela conservação dos bens do espólio, mas impõe limites claros: qualquer venda ou transferência depende de autorização judicial prévia. Paralelamente, o caso ganhou novos desdobramentos policiais.
Duas semanas após o início da investigação sobre um suposto furto na casa do médico, Carmem registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de se apropriar de bens sem aval da Justiça.
Entre os itens citados estão um veículo Subaru 2021, eletrodomésticos, móveis e uma bolsa com documentos e dinheiro. O caso segue sob apuração do 27º Distrito Policial, enquanto a polícia aguarda laudos do Instituto Médico Legal para esclarecer a causa da morte de Miguel Abdalla Neto.
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