Uma perícia médica realizada pela Polícia Federal a pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, concluiu que Jair Bolsonaro apresenta condições de saúde que exigem cuidados específicos durante o cumprimento da pena, mas sem indicação de internação hospitalar.
O laudo aponta a necessidade de reforçar medidas preventivas, sobretudo para reduzir o risco de quedas, considerado relevante pelos médicos.
A avaliação foi feita no dia 20, durante visita dos peritos ao 19º Batalhão da Polícia Militar, no complexo da Papuda, onde o ex-presidente está detido. Os profissionais analisaram exames anteriores, examinaram Bolsonaro e verificaram as condições do local.
Segundo o documento, as doenças crônicas existentes estão sob controle clínico, mas há fatores que demandam atenção contínua, especialmente do ponto de vista neurológico.
Entre os pontos destacados está o histórico recente de uma queda sofrida no início de janeiro, quando Bolsonaro ainda estava na Superintendência da PF em Brasília. O episódio, somado a queixas frequentes de tontura ao mudar de posição e instabilidade ao caminhar, levou os médicos a indicarem investigação mais aprofundada do quadro neurológico.
O uso combinado de medicamentos que atuam no sistema nervoso central e no sistema cardiovascular também foi apontado como elemento que pode aumentar o risco de novos acidentes.
O laudo lista comorbidades como hipertensão, obesidade, refluxo e apneia obstrutiva do sono em grau elevado. Como medidas práticas, os peritos sugerem adaptações na cela, como mais barras de apoio, sistemas de chamada de emergência e monitoramento, além de acompanhamento nutricional, fisioterapia e estímulo à atividade física regular.
A perícia também avaliou a rotina diária do ex-presidente, incluindo sono, alimentação e hábitos de leitura e caminhada. Os médicos registraram preocupação com a dieta, considerada pobre em frutas e verduras e com consumo frequente de alimentos ultraprocessados.
Apesar das limitações apontadas, o relatório não identificou sinais de depressão. Moraes solicitou manifestação da defesa e da Procuradoria-Geral da República antes de decidir eventuais mudanças nas condições de cumprimento da pena.
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