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Vorcaro tentou repassar imóvel suspeito no dia da própria prisão

(Foto: Arquivo Pessoal)

A tentativa de venda de um apartamento de alto padrão em São Paulo, investigado como possível pagamento de propina, entrou no radar das autoridades federais após a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O imóvel, localizado no empreendimento Vizcaya Itaim, na região da avenida Faria Lima, teria sido adquirido, segundo suspeitas apuradas pelo Ministério Público Federal, para beneficiar o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa.

Mensagens de e-mail reunidas pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS indicam que Vorcaro tentou transferir a titularidade do apartamento para terceiros no mesmo dia em que acabou detido pela Polícia Federal. A movimentação ocorreu em 17 de novembro, data em que o banqueiro foi interceptado no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para fora do país.

O apartamento está registrado em nome da Viking, empresa ligada ao grupo empresarial de Vorcaro. A companhia também aparece como proprietária de aeronaves utilizadas pelo banqueiro, incluindo o jato particular que ele pretendia usar na viagem internacional antes da prisão.

Dois meses antes do episódio, Vorcaro havia vendido a maior parte do controle da Viking a um fundo de investimentos e deixado formalmente a administração da empresa, movimento interpretado por investigadores como uma tentativa de afastar seu nome de ativos do grupo.

Apesar dessa mudança societária, as mensagens analisadas mostram que ele continuava acompanhando negociações envolvendo o imóvel. Uma corretora responsável pela intermediação relatou ter sido designada diretamente por Vorcaro para tratar da possível transferência do apartamento, avaliado em cerca de R$ 60 milhões.

A tentativa de concluir o negócio ocorreu de forma acelerada nos dias que antecederam a prisão. Documentos para formalizar a cessão começaram a ser solicitados à incorporadora responsável pelo empreendimento poucos dias antes da operação policial. O processo, no entanto, não foi finalizado.

No mesmo dia da detenção, Vorcaro participou de reuniões com representantes do Banco Central e divulgou a suposta venda do Banco Master a um grupo financeiro, anúncio que, segundo investigadores, poderia ter servido como estratégia para reduzir o impacto das investigações em curso.

A prisão ocorreu poucas horas depois dessas movimentações. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação da instituição financeira, e a negociação do imóvel acabou interrompida.

Paulo Henrique Costa afirma desconhecer qualquer investigação sobre o caso e nega relação com a suposta operação. Já os advogados de Vorcaro não se manifestaram.

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Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

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