O Brasil registrou, em 2024, os menores índices de mortalidade infantil das últimas mais de três décadas, segundo levantamento divulgado por organismos das Nações Unidas. O estudo aponta uma queda consistente nas mortes de recém-nascidos e de crianças de até cinco anos, refletindo avanços acumulados desde os anos 1990.
Os dados mostram uma transformação significativa no cenário brasileiro. No início da década de 1990, a mortalidade neonatal, que considera os primeiros 28 dias de vida, atingia 25 óbitos a cada mil nascimentos. Hoje, esse índice caiu para sete por mil. Entre crianças menores de cinco anos, a redução também é expressiva: de 63 mortes por mil nascidos vivos em 1990 para 14,2 em 2024.
Especialistas atribuem o resultado à ampliação de políticas públicas voltadas à atenção básica. Programas como a Estratégia Saúde da Família, a atuação de agentes comunitários e a expansão do acesso à rede pública foram determinantes para reduzir mortes evitáveis.
Medidas como vacinação em larga escala, incentivo à amamentação e acompanhamento pré-natal também tiveram papel central nesse processo.
Apesar do avanço, o ritmo de melhora perdeu força nos últimos anos. Entre 2000 e 2009, a redução anual da mortalidade neonatal era mais acelerada. Já na última década, o declínio se manteve, porém em velocidade menor, acompanhando uma tendência global de desaceleração.
O relatório também chama atenção para outro recorte preocupante: a mortalidade entre jovens. Em 2024, cerca de 2,1 milhões de pessoas entre 5 e 24 anos morreram no mundo.
No Brasil, a violência aparece como principal causa de morte entre adolescentes do sexo masculino, especialmente entre 15 e 19 anos. Entre meninas, prevalecem doenças não transmissíveis, seguidas por infecções e episódios de violência.
A análise reforça que investimentos contínuos em saúde infantil seguem entre as estratégias mais eficazes para o desenvolvimento social e econômico, com impactos diretos na redução de desigualdades e no fortalecimento das políticas públicas.
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