Skip to content Skip to footer

Dados expõem rotina de guerra em favelas do Rio ao longo de uma década

(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O monitoramento independente da violência no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, revela um cenário persistente de operações policiais com alto impacto sobre a população local. Levantamento do projeto De Olho na Maré aponta que, entre 2016 e 2025, foram realizadas 231 incursões policiais nas 15 favelas da região, resultando em 160 mortes e mais de 1,5 mil registros de violações de direitos, incluindo episódios de agressões, ameaças e restrições ilegais à liberdade.

Os dados integram a nova edição do boletim sobre segurança pública produzido pela organização Redes da Maré, que acompanha há uma década os efeitos das ações armadas no território. Além da violência direta, o estudo chama atenção para as consequências sobre serviços básicos.

Ao longo do período analisado, operações interromperam atividades escolares por 163 dias, o equivalente à perda de quase um ano letivo para crianças e adolescentes. Na saúde, apenas em 2024, o fechamento de unidades por duas semanas impediu milhares de atendimentos.

Mesmo com redução no número de operações em 2025, a letalidade aumentou proporcionalmente. Foram 16 ações policiais no ano, com 12 mortes, índice superior ao registrado no ano anterior, quando houve mais incursões, mas menor número de óbitos por operação. O levantamento indica uma mudança no padrão: ações menos frequentes, porém mais intensas e com maior uso de armamento pesado.

Outro ponto crítico é a fragilidade das investigações. Das 160 mortes registradas no período, apenas uma resultou em denúncia formal, e a realização de perícia foi exceção. O relatório também destaca o uso recorrente de helicópteros, inclusive com registros de disparos em áreas próximas a escolas e unidades de saúde.

A Polícia Civil afirmou que atua com base em planejamento técnico e inteligência, sustentando que todas as ocorrências são apuradas dentro dos protocolos legais. Já a Redes da Maré defende que os dados produzidos no território podem contribuir para a formulação de políticas públicas mais eficazes e menos letais.

Bookmark

Henrique Romanine

Jornalista, colecionador de vinil e apaixonado por animais, cinema, música e literatura. Inclusive, sem esses quatro, a vida seria um fardo.

Mais Matérias

20 mar 2026

60 anos de Chico Science: artista ainda redefine o lugar de Pernambuco na música brasileira

O artista, ao lado da Nação Zumbi, foi peça central na virada estética dos anos 90
20 mar 2026

Goiás vai contra a Constituição e fecha acordo com EUA por minerais estratégicos

Acordo ainda não tem força de lei nem detalhes operacionais

Crise global da água atinge mais mulheres do que homens, mostra relatório da ONU

Dados inéditos revelam sobrecarga feminina no acesso à água
20 mar 2026

População ganha poder de veto sobre privatizações em Curvelo (MG)

Nova norma muda Lei Orgânica e amplia participação direta da população
20 mar 2026

Castro pode renunciar para evitar cassação no TSE

Aliados veem renúncia como única alternativa

Como você se sente com esta matéria?

Vamos construir a notícia juntos

Deixe seu comentário