Quase um terço das mulheres brasileiras vítimas de feminicídio em 2025 já havia registrado queixa contra o futuro autor do crime. Os dados são de um novo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), lançado nesta semana. O relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil” mostra que só no ano passado, 1.568 mulheres foram assassinadas por motivações relacionadas ao simples fato de serem mulheres.
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Dessas, 481, ou cerca de 30% já tinham registrado boletim de ocorrência ou pedido medida protetiva contra o futuro assassino.
Desde a tipificação da lei do feminicídio, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher. Número que, segundo os pesquisadores, ainda é subestimado, porque muitas mortes são registradas apenas como homicídios comuns.
Medida protetiva
Em 16 unidades da federação analisadas (total de 1.127 feminicídios), 148 mulheres – ou 13,1% do total – foram assassinadas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente no momento do crime.
Ou seja: elas registraram queixa, o juiz concedeu proteção e, ainda assim, foram mortas. “Embora minoritário em termos proporcionais, um contingente expressivo de mulheres foi assassinado mesmo após ter acionado o sistema de justiça”, alerta o relatório.
Outros retratos do estudo
Quem são as vítimas: 62,6% são negras; metade tem entre 30 e 49 anos; a maioria mora em municípios pequenos (até 50 mil habitantes), onde a taxa de feminicídio é 28,5% maior que a média nacional e a rede de proteção é quase inexistente.
Quem mata: 59,4% dos autores são companheiros atuais; 21,3% são ex-companheiros; apenas 4,9% são desconhecidos.
Como matam: quase metade usa arma branca (faca, machado); um quarto usa arma de fogo.
Onde: 50% dos casos ocorrem em cidades pequenas, que concentram apenas 41% da população feminina e têm cobertura precária de delegacias especializadas, casas-abrigo e centros de referência.
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