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30% das vítimas de feminicídio já haviam denunciado futuro autor do crime

Desde a tipificação da lei, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher
(Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Quase um terço das mulheres brasileiras vítimas de feminicídio em 2025 já havia registrado queixa contra o futuro autor do crime. Os dados são de um novo estudo do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), lançado nesta semana. O relatório “Retrato dos Feminicídios no Brasil” mostra que só no ano passado, 1.568 mulheres foram assassinadas por motivações relacionadas ao simples fato de serem mulheres.

Dessas, 481, ou cerca de 30% já tinham registrado boletim de ocorrência ou pedido medida protetiva contra o futuro assassino.

Desde a tipificação da lei do feminicídio, em março de 2015, ao menos 13.703 mulheres já foram assassinadas por sua condição de ser mulher. Número que, segundo os pesquisadores, ainda é subestimado, porque muitas mortes são registradas apenas como homicídios comuns.

Medida protetiva

Em 16 unidades da federação analisadas (total de 1.127 feminicídios), 148 mulheres – ou 13,1% do total – foram assassinadas mesmo tendo uma Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente no momento do crime.

Ou seja: elas registraram queixa, o juiz concedeu proteção e, ainda assim, foram mortas. “Embora minoritário em termos proporcionais, um contingente expressivo de mulheres foi assassinado mesmo após ter acionado o sistema de justiça”, alerta o relatório.

Outros retratos do estudo

Quem são as vítimas: 62,6% são negras; metade tem entre 30 e 49 anos; a maioria mora em municípios pequenos (até 50 mil habitantes), onde a taxa de feminicídio é 28,5% maior que a média nacional e a rede de proteção é quase inexistente.

Quem mata: 59,4% dos autores são companheiros atuais; 21,3% são ex-companheiros; apenas 4,9% são desconhecidos.

Como matam: quase metade usa arma branca (faca, machado); um quarto usa arma de fogo.

Onde: 50% dos casos ocorrem em cidades pequenas, que concentram apenas 41% da população feminina e têm cobertura precária de delegacias especializadas, casas-abrigo e centros de referência.

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Ivan Santos

Jornalista com três décadas de experiência, com passagem pelos jornais Indústria & Comércio, Correio de Notícias, Folha de Londrina e Gazeta do Povo. Foi editor de Política do Jornal do Estado/portal Bem Paraná.

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