O coração de Tami Braga está sendo colocado no lugar certo. A cantora brasileira, radicada hpa anos na Noruega, busca um reencontro e isso vem através da arte. “‘Abayomi’ é um reencontro”. É assim que a cantora carioca define seu mais novo EP, lançamento que reposiciona a artista na cena musical após um período apenas fazendo shows na Europa e se dedicando à maternidade. “Abayomi” chega às plataformas digitais no dia 27 de março, com quatro faixas que resumem a busca da cantora por seu lugar no mundo e na arte. (Faça o pre-save)
Mais do que um álbum, “Abayomi” nasce da necessidade de voltar à raiz, de olhar para dentro e aceitar, com orgulho, aquilo que sempre esteve ali. O trabalho sintetiza a essência da jornada de Tami: a saudade pulsante do Brasil, a celebração da vida simples e a redescoberta de sua voz como artista e mulher.
Nos palcos, o projeto convida o público a sentir essa conexão profunda com a origem — um mergulho na memória, no corpo e na ancestralidade que vibra através da música.
Musicalmente, “Abayomi” se ancora no samba, na bossa nova, no afoxé e em outras sonoridades brasileiras que formam a identidade artística de Tami. Ritmos que, em sua visão, não são apenas gêneros, mas estados de espírito, histórias vivas e heranças afetivas.
A inspiração para o projeto veio de um momento de fragilidade e reconstrução.
“Um tempo em que precisei fazer o melhor com o que tinha nas mãos. E foi ali que entendi: Abayomi é sobre o caminho. Sobre a boemia, sobre o horizonte que chama, sobre cantar enquanto atravessa. É sobre resiliência, confiança no processo e essa certeza bonita de que tudo aquilo que é pra ser encontra a gente no meio do caminho.”
As músicas foram tecidas como um artesanato.
“Um trabalho feito à mão, com o que eu tinha, com o que eu sou. Cada pessoa envolvida trouxe sua parte, sua alma, seu fio. E juntas, essas mãos criaram uma costura feita com o coração.”
O lançamento do EP acontece após a divulgação do single “Boemia”, que ganhou um videoclipe gravado em locais emblemáticos do Rio de Janeiro, como a Escadaria Selarón, o Arpoador e a Lapa.
A canção chegou a Tami como uma bossa nova, mas ganhou novos contornos no estúdio. Sob a produção de Tiago Xavier e com a direção artística da própria cantora, “Boemia” incorporou elementos de samba e batuque, ganhando um “calor no coração” com a adição do tamborim e uma leve aceleração no gingado.
A voz técnica da cantora, entregue com um perceptível sorriso no canto, foi o tempero final para a faixa que dá o tom do novo trabalho.
No samba classudo “Horizonte a Cantar”, Tami evoca a vontade de cantar o amor em todos os lugares que gostamos. Ela entoa a poesia da canção com a vontade de quem vive de verdade cada verso. Já em “Caminho”, a intérprete parece orar enquanto canta: “Meu caminho eu faço a pé (…) Vou seguindo espalhando alegria e axé”.
Este novo projeto marca uma evolução significativa na trajetória de Tami, que se vê hoje como uma artista mais dona de sua obra.
“Me sinto mais segura, tendo certeza do que estou trazendo hoje para as pessoas. Trabalhar com o Tiago me deu segurança e foi um processo muito gostoso”, afirma.
Apesar de dominar o inglês e viver na Noruega, Tami não hesitou em manter o português como a língua de sua arte. A confirmação veio de forma inesperada, quando um amigo norueguês, viciado em sua música, confessou:
“Eu não sei o que você está falando, mas só sei que soa tão linda, tão rico”.
“Aquilo foi a confirmação”, lembra Tami. “O português é onde eu me expresso de verdade, na minha língua. E eu acho importante manter isso e passar para o mundo.”
Abayomi: amor, resistência e um encontro que transformou
O nome do projeto carrega um significado profundo. Assim como as bonecas Abayomi — criadas com retalhos, sem cola ou costura, símbolos de afeto, resistência e criatividade —, este trabalho nasce da simplicidade, da invenção e da força que surge quando pessoas se unem e se conectam.
A homenagem não é apenas simbólica. O EP é dedicado a Mônica, mulher quilombola e artesã, que Tami conheceu durante uma hospitalização.
“Foi ela quem me ensinou a cantar para a lua. Com liberdade, criatividade e sem me perder das minhas raízes”, conta a cantora. “Mônica me contou sua história, me contou sobre a Lena Martins [artesã e criadora das bonecas] e me presenteou com uma boneca Abayomi feita por suas próprias mãos. Em meio à dor, nos reconhecemos.”
Com “Abayomi”, Tami Braga espera conectar-se com o público através do orgulho de ser brasileiro e da beleza do simples.
“É reconhecer a beleza no simples: acordar de manhã e ter um dia na sua frente, ir para os lugares que você gosta, estar com as pessoas que você ama. É sobre romantizar a vida, tornar a vida um pouco leve. É essa sensação que eu quero transmitir: amor e pertencimento ao nosso país.”
Bookmark“Em Abayomi, eu me reencontro”, conclui a artista. “E convido quem escuta a caminhar comigo.”
