A Polícia Federal comunicou ao Supremo Tribunal Federal que ainda não recebeu as imagens das câmeras corporais utilizadas por policiais militares durante a megaoperação realizada em outubro nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A ação resultou na morte de 122 pessoas e está sob análise no âmbito da ADPF 635, que acompanha a atuação das forças de segurança em comunidades do estado.
Conforme reportagem do jornal O Globo, o informe foi encaminhado no dia 1º de abril pelo diretor-geral da corporação, Andrei Augusto Passos Rodrigues. No documento, a PF detalha as dificuldades enfrentadas na apuração e solicita a ampliação do prazo para conclusão das análises periciais.
Inicialmente, o Supremo havia determinado um período de 15 dias para a avaliação do material, mas a Polícia Federal pede que esse prazo seja estendido para até 90 dias, diante da complexidade do caso e da quantidade de dados envolvidos.
Até o momento, segundo a corporação, apenas gravações de agentes da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), ligada à Polícia Civil, foram entregues. O volume já recebido soma cerca de 400 horas de vídeos, mas parte desse material apresenta inconsistências técnicas: dois arquivos não puderam ser acessados por falhas de leitura e outro foi encaminhado sem identificação, o que dificulta a verificação do conteúdo.
A ausência das imagens da Polícia Militar é apontada como um entrave central para o avanço das investigações. A expectativa da PF é de que o material pendente seja enviado para permitir uma análise mais completa da operação, incluindo a reconstrução dos eventos e a avaliação da conduta dos agentes envolvidos.
Procurada, a Polícia Militar do Rio não se manifestou até a última atualização do caso. A apuração segue sob supervisão do Supremo, que deverá decidir sobre o pedido de prorrogação do prazo.
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