O governo federal atualizou na segunda-feira (6) a chamada “lista suja” do trabalho análogo à escravidão e incluiu, entre os novos nomes, o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD. A nova versão do cadastro reúne empregadores responsabilizados após decisões administrativas definitivas e passa a contar com cerca de 613 registros em todo o país.
Ao todo, 169 novos empregadores foram adicionados na atualização mais recente, resultado de fiscalizações realizadas entre 2020 e 2025 em 22 unidades da federação. Os casos levaram ao resgate de 2.247 trabalhadores encontrados em condições degradantes, com jornadas exaustivas ou restrições de liberdade.
A maioria dos incluídos é de pessoas físicas, mas empresas também aparecem na lista. Paralelamente, 225 nomes foram retirados após cumprir o período mínimo de permanência de dois anos.
Entre os setores com maior incidência de ocorrências estão o trabalho doméstico, a criação de gado, o cultivo de café e a construção civil. Minas Gerais lidera o número de empregadores incluídos, seguido por estados como São Paulo, Bahia e Paraíba, o que indica a dispersão dos casos em diferentes regiões do país.
A inclusão da BYD está relacionada a uma operação que identificou trabalhadores estrangeiros em condições precárias durante a construção de uma fábrica na Bahia. Já Amado Batista figura no cadastro após autuações envolvendo propriedades rurais em Goiás. A assessoria do artista contesta as irregularidades e afirma que houve ajustes após fiscalização.
Divulgada duas vezes por ano pelo Ministério do Trabalho, a lista tem como objetivo dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo. Os nomes só são incluídos após a conclusão dos processos administrativos, sem possibilidade de recurso. Desde a criação das equipes móveis de fiscalização, em 1995, mais de 68 mil trabalhadores já foram resgatados em todo o país.
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