Documentos encaminhados pela Receita Federal do Brasil à CPI do Crime Organizado revelam uma rede de repasses milionários do Banco Master, ligado ao empresário Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas associadas a políticos e ex-integrantes de governos federais.
As informações, obtidas pela Folha de S. Paulo, abrangem movimentações financeiras entre 2022 e 2025 e detalham pagamentos a nomes influentes do cenário político e econômico nacional.
Entre os valores mais expressivos, aparecem cerca de R$ 18,5 milhões destinados ao ex-ministro Henrique Meirelles e R$ 14 milhões à consultoria vinculada a Guido Mantega. Também consta um repasse de R$ 10 milhões ao escritório do ex-presidente Michel Temer, além de R$ 6,4 milhões a bancas relacionadas a Antônio Rueda.
Empresas do Grupo Massa, ligado ao apresentador e ao governador do Paraná, Ratinho Junior, receberam somas que ultrapassam R$ 20 milhões no período.
Outros beneficiários incluem a empresa do ex-ministro Ricardo Lewandowski, com mais de R$ 6 milhões em pagamentos, além de repasses à consultoria de ACM Neto e à empresa de comunicação de Fabio Wajngarten. Há ainda registros de transferências para a BN Financeira, ligada a familiares do senador Jaques Wagner, além de um valor menor creditado diretamente ao parlamentar.
Segundo os dados fiscais, os pagamentos foram declarados e, em parte, sofreram retenção de tributos. Os envolvidos afirmam que os serviços prestados tinham natureza técnica, jurídica ou de consultoria, com contratos formais e emissão de notas fiscais. Alguns questionam a divulgação das informações, alegando possível vazamento de dados sigilosos.
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