Uma comitiva formada por representantes do setor de comércio e serviços de São Paulo desembarcou em Brasília na terça-feira (5) com um objetivo claro: tentar frear o avanço da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 no país. O grupo, articulado pela FecomercioSP, reúne ao menos 18 dirigentes de entidades empresariais e aposta em uma ofensiva direta junto a parlamentares.
A mobilização ocorre em meio à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera o modelo atual de jornada, comum em áreas como comércio e serviços, onde trabalhadores atuam seis dias seguidos com um de descanso.
A avaliação das lideranças é que a mudança pode gerar impacto imediato nos custos operacionais, especialmente em contratos terceirizados mantidos por prefeituras, que teriam de arcar com despesas maiores.
A estratégia inclui reuniões com deputados da oposição e integrantes da comissão especial da Câmara responsável pela análise da proposta. O grupo também tenta viabilizar um encontro com o presidente da Casa, Hugo Motta. Paralelamente, os empresários participam de um evento político em Brasília, visto como oportunidade para ampliar o diálogo com parlamentares.
Entre os argumentos levados ao Congresso está a defesa da manutenção das negociações coletivas como principal ferramenta para ajustar jornadas de trabalho. Segundo os organizadores, a fixação de regras por meio de lei pode tornar as relações trabalhistas mais rígidas e reduzir a capacidade de adaptação dos setores.
Outro ponto levantado é a necessidade de compensações financeiras caso a proposta avance, pois a avaliação é que, sem apoio da União, empresas podem enfrentar perdas significativas. A expectativa no Legislativo é de que a análise da PEC avance nas próximas semanas.
O relator designado é Leo Prates, sob presidência do colegiado de Alencar Santana. A Câmara projeta votar o tema ainda em maio, embora haja sinalização de debate mais aprofundado antes da decisão final.
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